BRILHO DE DUAS ÉPOCAS | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

PEDRO MENDES DA ROCHA - EDIFÍCIO LUTETIA

BRILHO DE DUAS ÉPOCAS

EDIFÍCIO DO INÍCIO DO SÉCULO 20 NO CENTRO DE SÃO PAULO GANHA NOVOS INTERIORES PARA RECEBER ARTISTAS

POR LEDY VALPORTO LEAL FOTOS MARCELO SCANDAROLI
Edição 160 - Julho/2007

Praça do Patriarca, 1920. A cena urbana remetia à Belle Époque francesa, com suas construções marcadas pelo ecletismo e revelando o glamour e o brilho de uma época. O arquiteto Ramos de Azevedo projeta, então, o edifício Lutetia, evocação do nome dado pelos romanos à cidade de Paris. A família Álvares Penteado, uma das mais tradicionais da sociedade paulistana, destina o prédio para uso comercial. O entorno já estava formado pela Igreja de Santo Antonio (1640), do outro lado da praça, e a edificação do primeiro Mappin Stores completando o quarteirão e compondo a Praça do Patriarca. Do outro lado do viaduto do Chá o esplendor do Teatro Municipal e do prédio da Light & Power. Exemplo marcante da arquitetura que predominou no centro paulistano naquele período, o Lutetia é um símbolo histórico tombado em 1992 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

Praça do Patriarca, 2000. A região central da cidade, já muito deteriorada, passa por um plano de revitalização. A Praça do Patriarca ganha um projeto ousado e polêmico: o pórtico metálico concebido pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que substitui a antiga marquise da Galeria Prestes Maia sobre a escadaria de acesso ao Vale do Anhangabaú. Ao projeto de revitalização da praça, une-se a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), herdeira do edifício Lutetia desde a década de 50, para realizar a restauração do prédio e lhe imprimir novo uso - agora, em vez de escritórios, passa a ser residência artística. Nos moldes da Cité des Arts, de Paris (local que hospeda artistas do mundo todo, inclusive os da Faap), o Lutetia abriga temporariamente (mínimo de dois e máximo de seis meses) artistas estrangeiros que vêm a São Paulo.

"A idéia é que a pessoa produza algum trabalho ou uma pesquisa e que haja uma troca com os alunos da Faap. Por isso oferecemos condições para que conviva e entenda a cidade, a cultura, as pessoas", afirma o professor Marcos Moraes, diretor da faculdade de artes plásticas da Faap e um dos coordenadores do projeto.

Originalmente o Lutetia era um prédio que se estendia até a esquina com a rua São Bento. Ao longo dos anos foi sendo desmembrado e hoje faz parte de um conjunto de três prédios independentes com fachada única. Implantado em um terreno de 256 m², o Lutetia possui oito pavimentos que anteriormente eram ocupados por inúmeras salas de escritórios e foram substituídas por lofts para acomodar os artistas.

Em 2000, foram executadas primeiramente as obras de restauro da fachada sob a coordenação do professor Munir Buarraj, do curso de arquitetura da Faap, que em conjunto com os alunos, técnicos do IPT e a construtora Cláudio Helou, criou o projeto que devolveria ao Lutetia o brilho dos anos 20. Levantamentos fotográficos rigorosos revelaram todos os detalhes do edifício, como a técnica construtiva de concreto e alvenaria e os desenhos dos ornamentos característicos das construções da época, assim como uma cuidadosa investigação para descobrir as cores da pintura e das esquadrias originais. Tudo foi recuperado e refeito, inclusive os espaços internos de uso coletivo como hall de entrada, guarda-corpo e corrimão da escadaria e elevadores.

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