AS PRIMEIRAS MORADIAS | aU - Arquitetura e Urbanismo

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AS PRIMEIRAS MORADIAS

POR YOPANAN REBELLO E MARIA AMÉLIA D'AZEVEDO LEITE
Edição 161 - Agosto/2007

EM CONVERSAS SOBRE EDUCAÇÃO, RUBEM ALVES DIZ, "NOSSAS CONCHAS SE CHAMAM CASAS... PENSEI ENTÃO NUMA ESCOLA QUE FOSSE UMA CASA, UMA CASA COMUM, DESSAS ONDE OS ALUNOS MORAM, PARECIDA COM O ESPAÇO DE SUA VIDA REAL... LI UMA ENTREVISTA DO AMYR KLINK EM QUE, PERGUNTADO SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS, DISSE QUE GOSTARIA QUE SEUS FILHOS APRENDESSEM COMO APRENDEM AS CRIANÇAS NUMA ILHA, SE NÃO ME ENGANO, NA COSTA DA NORUEGA: APRENDEM AS COISAS QUE DEVEM SER APRENDIDAS, PARA NÃO SEREM NUNCA ESQUECIDAS, CONSTRUINDO UMA CASA VIKING. ASSIM, ESTAMOS DE ACORDO..."

O comportamento instintivo dos primeiros seres humanos de se proteger das intempéries e predadores, encontrar abrigo para descansar e renovar as forças foi o que provavelmente originou a criação do que hoje denominamos por habitações ou moradias. O morar, hábito humano imemorial, encontra sua definição nos dicionários como o ato de permanecer ou de tardar em um lugar, sendo talvez a manifestação arquitetônica mais antiga e extensiva de que se tem notícia, bem como o artifício que possivelmente nos permitiu sobreviver frente aos desafios do meio, quando outros animais maiores em tamanho e capacidade física sucumbiram.

Em verdade, o ato de abrigar-se aparenta ser uma necessidade biológica e à qual mesmo as espécies ditas irracionais apresentam reações construtivas e peculiares, as quais podem ter inspirado as moradias humanas. Darwin observou que alguns tipos de macacos de distantes ilhas ao leste e chipanzés na África construíam plataformas nas árvores para dormir.

Curiosamente, gravuras do século 17 insinuam habitações indígenas na América do Norte semelhantes a essa descrição, e mesmo nos dias atuais, da Índia ao Caribe, do Alasca ao Oriente, não raro surgem diversos e inusitados exemplares de moradias apoiados e abrigados nessas estruturas naturais.

É notório o fato de que as habitações humanas primitivas ainda sejam pouco presentes no âmbito da teoria e da história da arquitetura, comparativamente com outras temáticas, como templos, palácios, pavilhões, museus e outros. Diversos pesquisadores, entretanto, apontam a importância de ampliarmos o olhar para além do circuito de uma arquitetura "oficial" ou "erudita", incluindo em nossos estudos a observação de todo o conjunto de realizações humanas produzido por um saber coletivo e transmitido culturalmente, no qual as moradias constituem um inesgotável campo de investigação e aprendizado.

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