FLORES EXÓTICAS | aU - Arquitetura e Urbanismo

Artigo

FLORES EXÓTICAS

DO PONTO DE VISTA DE UM EUROPEU, OS EDIFÍCIOS DE NIEMEYER NESSE CONTINENTE, EMBORA RAROS E POR VEZES DESLOCADOS, INTRODUZIRAM CALOR E SENSUALIDADE ONDE FORAM IMPLANTADOS

POR JONATHAN GLANCEY FOTOS LEONARDO FINOTTI
Edição 165 - Dezembro/2007

Completo com banhos térmicos e saunas (para espantar os efeitos daqueles dias gélidos do inverno de Berlim), o complexo terá quatro piscinas cobertas por redomas conectadas por passarelas de vidro. Não será a mesma coisa que se bronzear sob o sol da praia de Copacabana, mas, em Potsdam, Niemeyer tem a chance de exportar mais do que puro calor arquitetônico: pode oferecer aos alemães um pouco do calor físico e sensualidade nativos em sua terra, o Rio de Janeiro, por meio de seus prédios extraordinariamente esculturais.

Niemeyer desenhou alguns outros prédios na Europa além dos mencionados neste artigo, em especial para a Renault, na França, e para a Fata, uma empresa italiana de engenharia com base em Turim. Mas talvez seu trabalho mais interessante nesse continente tenha sido o realizado sob o apadrinhamento e orientação de André Malraux.

Quaisquer que possam ter sido suas diferenças políticas, Niemeyer e Malraux queriam criar prédios que, de alguma forma, melhorassem a vida das pessoas comuns e tornassem a experiência diária estimulante e válida. Imagino que até os discursos políticos mais maçantes possam se tornar suportáveis quando ouvidos sob a diáfana abóbada do prédio do PCF em Paris.

As incursões de Niemeyer na Europa foram raras, mas, nessas poucas vezes em que floresceram como as plantas da Amazônia em um jardim de inverno alemão, tiveram o efeito de um tônico estético.

Jonathan Glancey é crítico de arquitetura e editor de design do jornal inglês The Guardian desde 1997. Antes disso, exercia a mesma função no jornal The Independent.

É colaborador das revistas Architectural Review, The Architect e Blueprint e autor de várias obras sobre arquitetura, como New British architecture (Thames and Hudson) e The story of architecture (Dorling Kindersley). É membro honorário do Riba (Royal Institute of British Architects).

EXOTIC FLOWERS
Niemeyer and his buildings will always be associated with warmth and light, with the curves of female forms and, perhaps, a little Latin American baroque. The first time I set eyes on a building by Oscar Niemeyer, though, I was in the Tiergarten, the park at the Hansa district of Berlin.
When the Hansa district was rebuilt from 1953, one of the architects chosen to redesign it was Oscar Niemeyer.

Although his apartment block, completed in 1957, is a precursor to the superquadra blocks in Brasilia, Niemeyer's building appeared to suit this Berlin parkland. In a sense, his work in Berlin was a kind of homage or artistic and philosophical homecoming.

When Niemeyer returned to work in Europe in the mid-1960s, he was called on to design major civic, corporate and institutional projects. The most famous one is the headquarters for the French Communist Party (PCF) in Paris, completed in 1972. Today this building is seen as fashionable and glamorous. It has been used for a Prada fashion show, and hosted the 2007 conference of the Riba.

Niemeyer's great champion in France was Andre Malraux (1901-76). Under his direction, Niemeyer was able to design the Maison de la Culture, at Le Havre, the labour-exchange in Bobigny, the headquarters of the PCF in Paris and the headquarters of the daily l'Humanite in Saint-Denis.
Niemeyer's incursions into Europe have been few and far between, but they have been a dose of sunshine, an aesthetic tonic, those few times they have blossomed like exotic Amazonian plants in a German winter garden.

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