Feira da Cidade tem cobertura de tensoestrutura . Meia Dois Nove Arquitetura . Ananindeua, PA . 2005/2007 | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Feira da Cidade tem cobertura de tensoestrutura . Meia Dois Nove Arquitetura . Ananindeua, PA . 2005/2007

Cobertura em tensoestrutura de formato triangular, com mais de três mil metros quadrados, conforma o grande pavilhão da nova Feira da Cidade

POR ÉRIDE MOURA FOTOS OCTAVIO CARDOSO
Edição 183 - Junho/2009

Projetar e organizar uma nova sede para a caótica Feira do Quatro de Ananindeua, município da região metropolitana de Belém, foi o desafio enfrentado pelos arquitetos José Maria Coelho Bassalo e Flávio Campos do Nascimento, do escritório paraense Meia Dois Nove Arquitetura e Consultoria, escolhido por licitação aberta pela prefeitura municipal. Espalhada por praças e vias públicas de grande circulação, a feira já invadira, inclusive, o canteiro central da movimentada avenida Arterial 18, com precárias lojas construídas em alvenaria, o que constituía um ato de privatização do espaço público, e contribuía para o confuso e perigoso fluxo de pedestres e veículos no mesmo espaço. Já consolidada como equipamento urbano, a feira era importante não só para o abastecimento da cidade, mas também para a subsistência das centenas de famílias de trabalhadores informais.

Logo nos primeiros contatos entre a prefeitura e os feirantes, ficou decidido que a feira seria removida da área ocupada para um local único e abrigado sob uma estrutura coberta, capaz de proporcionar condições de higiene e segurança.

A escolha do material
Os principais fatores que concorreram para a adoção da tensoestrutura foram o curto prazo disponível para a entrega da obra e a limitação dos recursos destinados à sua execução. A estrutura metálica e a tensoestrutura de formato triangular e com exatos 3.127,15 m² puderam ser executadas e montadas em 80 dias de trabalho. O material, uma membrana em fibra de poliéster revestida com PVC, foi importado da Alemanha e tem dez anos de garantia de fábrica. Por sua translucidez, a membrana (de cor branca com detalhes azuis) permite o funcionamento diurno do pavilhão sem iluminação artificial, proporcionando uma importante economia de energia.

O projeto
A ideia, desde o início, era a de que a área deveria ficar próxima da feira anterior, para garantir a aceitação da população. Assim, a opção recaiu sobre dois lotes de frente para a avenida Arterial 18, situados a 150 m da antiga feira. O primeiro lote, de forma trapezoidal, media 3.070,47 m², e o segundo, separado do primeiro por uma pequena via pública, tinha forma triangular e uma área de 124,52 m². Para abrigar o pavilhão, a geometria dos lotes foi redefinida e a via que os separava foi incorporada à área da futura feira. No final, o lote ficou com área triangular de 3.444,27 m², limitado pela avenida Arterial 18 e pelas vias SN-23 e WE-59.

A implantação e distribuição dos pontos de venda e serviços no pavilhão foram concebidas de maneira a dar fluidez à circulação e acesso igualitário a todos os boxes e bancas. As duas grandes circulações que cruzam a feira cumprem o papel de acessos principais, ligando o lado paralelo à avenida Arterial 18 às suas interfaces com as vias SN-23 e WE-59. Esses percursos estruturam os posicionamentos dos locais de comércio e, ao se encontrarem no meio do pavilhão, conformam uma praça.

O programa de necessidades da nova feira foi concebido de maneira a garantir abrigo a todos os cadastrados. Depois de identificadas as demandas por meio dos estudos que fundamentaram o projeto, o espaço foi idealizado para receber os 354 pontos de venda com quatro configurações espaciais distintas. O primeiro tipo é o boxe fechado (num total de 38 unidades), cada um com uma área média de 8 m², ocupado pelo pequeno comércio que ficava no canteiro central da avenida. Foram executados em alvenaria, com fechamentos de portas metálicas do tipo esteira e cobertos com laje de forro. A implantação desses boxes na periferia da feira previu aberturas para o interior do pavilhão e para as vias públicas, de maneira a possibilitar o comércio pelos dois lados.

Os boxes abertos, 46 ao todo, foram localizados no centro da feira, distribuídos em ilhas, de forma setorizada, considerando-se a afinidade entre a natureza dos produtos negociados. Têm configuração idêntica, com áreas médias de 4,25 m² cada um, construídos em alvenaria revestida de pastilhas e são dotados de balcão de atendimento em granilite, pia de aço inox e espaço para refrigerador. O terceiro tipo - dois espaços em ilha para venda de caranguejo, com oito tanques cada - dispõe de estrutura em alvenaria revestida de pastilhas, com varal em aço para exposição da mercadoria, além de pontos de água para lavagem dos crustáceos.

O quarto e mais numeroso espaço é o das bancas dos feirantes. São 254 unidades, todas com a mesma linguagem formal, e algumas variações de constituição física e dimensão de acordo com as necessidades dos produtos e também da disponibilidade de área. As bancas apresentam dimensões variadas (1,10 m x 0,80 m, 1,30 m x 0,80 m, 1,55 m x 0,80 m, 1,70 m x 0,80 m e 1,80 m x 1,80 m) e foram construídas em alvenaria, madeira e aço (32 unidades), ou em madeira e aço (as 222 restantes). As construídas em alvenaria, madeira e aço estão destinadas ao comércio de carnes e mariscos. Têm base de alvenaria revestida de pastilhas, balcão de granilite sobre placa de concreto, ponto de água e esgoto para lavagem dos produtos, varal em tubo de aço para exposição das mercadorias, e armário de madeira para guardar estoque e utensílios.

As demais bancas foram estruturadas por um pórtico tubular em aço, fixo ao piso por parabolts que seguram um caixote de madeira elevado 25 cm do solo, cujo tampo é usado para a exposição de mercadorias, enquanto no seu interior é guardado o estoque e os utensílios. A estrutura metálica porticada também funciona como varal expositor e, em alguns casos, como suporte para instalações elétricas.

Os pontos de comercialização de confecções têm caixote com nível mais baixo para facilitar a exposição desse tipo de mercadoria.

As unidades que não contam com estruturas próprias de abastecimento de água têm à sua disposição um grande tanque coletivo, no qual podem lavar, caso necessário, os produtos que comercializam. O pavilhão recebeu piso granilítico do tipo Korodur.

Além de postos de venda e serviços, o projeto previu ainda espaços para administração, com sala de gerência, depósitos, lixo, e sala para medidores de consumo de energia elétrica. Bicicletários com 114 vagas foram instalados em determinados trechos do passeio em torno da feira. O ponto de táxi já existente no local recebeu boxe fechado e espaço exclusivo para estacionamento de dez veículos.

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