aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Reinach Mendonça Arquitetos Associados . SP

Reinach Mendonça Arquitetos Associados assinam retrofit que trouxe contemporaneidade aos edifícios dos Escritórios Europa, em São Paulo

Por Vânia Silva
Edição 195 - Junho/2010

Dois edifícios erguidos na década de 1970, com projeto de Julio Neves, estavam disponíveis em uma localização privilegiada da avenida Nove de Julho, em São Paulo - em uma área em que não há mais terrenos para novas construções. Os prédios abrigaram por muito tempo uma companhia estatal e foram comprados pela construtora SKR, que viu uma oportunidade de oferecer escritórios com infraestrutura adequada às atuais necessidades do mercado.

Convidados para realizar o retrofit dos prédios, os arquitetos Henrique Reinach e Mauricio Mendonça afirmam que as principais mudanças puderam ser feitas sem descaracterizar a volumetria e a estrutura do projeto original. Na primeira avaliação dos edifícios, chamou a atenção dos arquitetos a fachada quase cega na vista principal na face norte, para o Jardim Europa. "Os edifícios tinham iluminação e ventilação abundantes pelas janelas laterais, mas perdiam a vista hoje tão valorizada nos empreendimentos", conta Reinach. Também seria necessário modificar a fachada para que os clientes em potencial do empreendimento vissem uma mudança significativa.

Para conseguir total aproveitamento da paisagem, a fachada foi refeita em vidro refletivo com moldura em painéis de alumínio composto. Os painéis de vidro foram instalados em planos desnivelados criando um movimento que não deixou a fachada totalmente lisa. Duas passarelas ligavam os edifícios no 7o e 14o pavimentos e eram úteis quando somente uma companhia ocupava todo o local. Portanto, não teriam mais utilidade para o novo empreendimento e foram removidas. Optou-se também por apenas uma entrada de garagem, que passou a ser feita por uma rampa lateral.

A entrada social para os dois edifícios era feita sob uma marquise metálica que funcionava como uma guarita improvisada, não pertencente ao projeto original. Para adequar-se à proposta de uso, os arquitetos criaram uma estrutura metálica com pé-direito equivalente a três pavimentos do edifício e uma marquise revestida de alumínio composto.

Os três primeiros pavimentos de escritórios passaram a ter vista também para o hall de entrada, favorecendo a integração dos ambientes. O lobby concentra o balcão de informações e as catracas de entrada para os dois prédios, para ter maior controle e segurança ao acesso. Ainda no piso térreo dos edifícios estão as áreas comuns do condomínio, como seis salas de reuniões que podem dar lugar a um auditório e um espaço gourmet com cafeteria.

O contato com o entorno foi favorecido com a remoção do gradil que cercava o conjunto - e que também não fazia parte do projeto modernista. Os pavimentos de escritórios foram deixados com a planta livre de 400 m2, sem divisórias, para oferecer flexibilidade de uso - e, sem pilares, há maior liberdade de os empreendedores organizarem o espaço conforme a demanda. As vigas no teto foram deixadas aparentes e, assim como pisos e revestimentos, também ficarão a critério de cada cliente.

O novo projeto removeu os toaletes que ficavam junto à fachada cega na face norte de cada pavimento, e foram projetados novos conjuntos de toalete e copa, junto às fachadas laterais leste e oeste. Dessa forma, puderam tirar partido da arquitetura original - no caso, os pilares de concreto aparente que descem por fora dos prédios. Quatro dos vãos entre pilares foram utilizados para descer as instalações hidráulicas por shafts, na parte externa dos edifícios. "Dessa forma, não foi preciso quebrar ou ocupar espaço interno", explica Reinach.

Os pilares externos que contornam os edifícios descarregam as cargas em grandes pilares centrais de concreto aparente no pavimento térreo, mantidos com o formato triangular original. "Procuramos manter ao máximo as características do projeto modernista", afirma Mendonça. Na cobertura dos edifícios havia apenas a laje - e para valorizar esse espaço privilegiado, os arquitetos criaram uma estrutura metálica em cada prédio, que poderá ser utilizada pelas empresas alocadas no 14o pavimento. Outro grande desafio foi a construção de um segundo subsolo, para viabilizar o empreendimento. Foi preciso escavar o subsolo existente até deixar o pavimento com pé-direito duplo. No final puderam concretar a laje com cubetas, dividindo os pavimentos.

Com a duplicação, o subsolo passou a oferecer 195 vagas de garagem. O engenheiro Silvio Kozuchowicz, diretor da SKR, afirma que essa foi a parte mais delicada de toda a obra, feita com cuidado para não danificar a estrutura dos edifícios. "Também pensamos no entorno. Por ser uma área urbana adensada, não podíamos causar problemas para os vizinhos. Tudo foi planejado para causar o menor impacto", explica.

O retrofit valorizou o conjunto, possibilitou a renovação de instalações, maior segurança e garantiu conforto aos usuários. Do ponto de vista comercial, também foi muito bem-sucedido. "Os escritórios foram todos vendidos no primeiro final de semana de lançamento", conta Mendonça, lembrando que prevaleceu a procura por escritórios maiores, indicando uma tendência de mercado.

NEW CLOTHING FOR THE MODERN

Two 1970-decade buildings, designed by Julio Neves, were available at a privileged location in São Paulo. The architects Henrique Reinach and Mauricio Mendonça, invited to execute the buildings' retrofitting, saw the almost blind façade in the North face, toward Jardim Europa. "The buildings had abundant lighting and ventilation through the side windows, but lacked the view which is so valued in today's ventures", says Reinach. In addition, it would be necessary to modify the façade so that potential clients saw a significant change in the building. The façade was remade in reflective glass framed in compound aluminum panels.

The office floors remained with a free 400 m2-plan to offer on-demand use and organization flexibility. The new project removed the toilets next to the blind façade in the North face of each floor, and new ones, plus a coffee room, were built, next to the lateral East and West walls. Four of the voids between the pillars descending through the façade were utilized to shelter the hydraulic facilities in shafts. Another huge challenge was the construction of a second underground floor, to make the venture viable. It was necessary to excavate the existing underground floor to double its height, and then to concrete the slab with cubettes to divide the floors. The underground now offers 195 parking spaces.


 



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