Estação Cultural leva empréstimo de livros e internet aos pontos de ônibus de Brasília, com projeto de Cooperativa Arquitetura Design (CoDA) | aU - Arquitetura e Urbanismo

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CoDA . Brasília . 2012

Estação Cultural leva empréstimo de livros e internet aos pontos de ônibus de Brasília, com projeto de Cooperativa Arquitetura Design (CoDA)

Por Lucas Rodrigues Fotos Joana França
Edição 222 - Setembro/2012
Foto: Joana França

Foto: Joana França

O conceito de apropriação define todas as etapas do projeto das Estações Culturais em Brasília: do objetivo inicial à sua construção. Projetado pelos arquitetos Pedro Grilo, Gabriel Nogueira e Guilherme Araújo, da Cooperativa Design Arquitetura (CoDA ), o espaço foi criado para promover o empréstimo de livros e o acesso gratuito à internet. Para isso, os arquitetos aproveitaram a estrutura de alguns pontos de ônibus de Brasília e instalaram estantes e computadores. Durante a concepção, um desafio: "O projeto deveria apresentar a novidade sem, contudo, descaracterizar o conjunto existente", explica Pedro.

A condição visava a preservar a identidade dos pontos de ônibus de concreto, revestidos por cerâmica Gressit e projetados em 1961 por Sabino Machado Barroso, que estão entre os mobiliários urbanos mais tradicionais existentes em Brasília. A solução foi envolver a antiga estrutura com o novo módulo, aumentado a espessura da coluna lateral, mas sem qualquer fixação direta. "A estrutura de encaixes não interfere na estrutura de concreto existente e preserva os ladrilhos", diz Pedro. Composta de aço e de vidro laminado temperado, a nova peça integra tanto a estante de livros quanto o computador.

O módulo metálico mede 60 cm de largura, 160 cm de comprimento e 210 cm de altura. Sua estrutura é montada a partir do encaixe de quatro peças: o painel cego da lateral externa, o painel com a estante de livros e duas portas metálicas vedadas com vidro temperado laminado, a frontal servindo como painel de divulgação e a posterior com um recorte no vidro para o computador.

Foto: Joana França

Na parte voltada para o assento do abrigo, fica a estante de livros. Fechada com portas de vidro, é feita com prateleiras metálicas pintadas de amarelo e iluminadas com mangueiras de led embutidas na estrutura. Na parte frontal, está localizado o painel retroiluminado com as marcas do projeto e das empresas patrocinadoras. No lado posterior, fica o computador touch screen de 21 polegadas, posicionado de modo que o usuário tenha a visibilidade da rua e da movimentação dos ônibus. O espaço interno foi reservado para a instalação dos equipamentos para a internet sem fio e o computador. A lateral externa é fechada com uma chapa cega, reservada a painéis adesivados com poemas de artistas da cidade.

O empréstimo dos livros é feito a qualquer cidadão sem a exigência de documentos nem de cadastro. A ideia das Estações vem se desenvolvendo desde 2007. Foi neste ano que a proposta de um açougueiro, o Luís Amorim, começou a tomar corpo com o Parada Cultural, um projeto de empréstimo de livros em pontos de ônibus que, por sua vez, era derivado de uma biblioteca popular que Luís mantinha primeiramente em seu açougue, conhecido como Açougue Cultural. Em 2012, uma parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB) estimulou a criação das Estações Culturais. De acordo com Pedro, "a ideia foi disponibilizar, juntamente com os livros, internet sem fio gratuita e computadores para acesso livre da população, aproveitando a oportunidade para criar um mobiliário urbano de qualidade".

Foto: Joana França

Em maio, foram inauguradas oito Estações Culturais, das quais três equipadas com internet sem fio e computador. Das oito estruturas, sete ficam na avenida W3 Norte e uma foi implantada no Setor Bancário Sul, região central de grande movimentação. Por enquanto, os equipamentos ainda estão em fase de testes para que sejam monitorados o uso e a manutenção dos computadores. Pedro conta que apenas nos primeiros três meses a procura pelo projeto foi intensa e ainda não foi detectado nenhum caso de vandalismo. "O apreço que a população tem pelo projeto garante a proteção dos livros e computadores", diz.

No momento, a CoDA , a FBB e o Açougue já estão reunidos para discutir a expansão do projeto. "A intenção inicial é expandir para o restante da W3 Norte e, posteriormente, para toda a área tombada do plano", afirma o arquiteto. Discute-se também, dentro da Fundação, a possibilidade de adaptar os módulos a escolas e parques.

FICHA TÉCNICA

DESIGN Cooperativa Design Arquitetura - CoDA
ENGENHARIA ESTRUTURAL Cooperativa Arquitetura Design - CoDA

 

Foto: Joana França

 

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Foto: Joana França

 

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Foto: Joana França

 

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