Alexandre Prisco assume o papel de arquiteto-empreendedor em projeto de edifício residencial em Lauro de Freitas, BA | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

Alexandre Prisco . Lauro de Freitas, BA. 2010/2011

Alexandre Prisco assume o papel de arquiteto-empreendedor em projeto de edifício residencial em Lauro de Freitas, BA

Por Mariana Kindle Fotos Patrícia Almeida
Edição 224 - Novembro/2012

Arquiteto e professor universitário, Alexandre Prisco assumiu também outra função: a de empreendedor. Projetou, construiu e participou da venda das unidades deste residencial de quatro unidades

Este residencial é a concretização de um sonho antigo, ainda da época de universidade. Alexandre Prisco assumiu a função de arquiteto-empreendedor, ativo em todo o processo que envolve uma obra. Em parceria com o engenheiro Gabriel Gonsalves, Alexandre mergulhou de cabeça no projeto, bancou os custos com suas reservas e cuidou do novo filhote intelectual desde o embrião criativo até a intermediação da venda.

Durante a fase projetual, os desafios estavam mais ligados à adequação do projeto à legislação. Já a fase de detalhamento se estendeu quase até o final da obra, repleta de idas e vindas entre canteiro e prancheta. Para o arquiteto, essa é uma das vantagens de se envolver com a totalidade do projeto: a possibilidade de correções e adequações.

O residencial tem 300 m² de área construída e está implantado em um terreno de 12 metros de frente por 36 metros de profundidade. Todos os terrenos da rua Cacilda da Silva Santos foram divididos dessa forma. A construção se dá no formato de um prisma retangular puro, que encontra seu charme no jogo de aberturas, brises de concreto pré-moldado e faixas verticais de bloco cerâmico aparente. A fachada poente que dá para a via pública é imponente, ainda que de uma simplicidade gritante. Com poucos recortes irregulares desde o chão até dez metros acima, vê-se um paredão de bloco cerâmico aparente destacado em cerca de 80 centímetros da construção, com a função de protegê-la do sol. A ideia é que essa muralha se torne verde à medida que as trepadeiras a dominem. Monumentalidade e conforto térmico em uma jogada de lápis.

Nas fachadas laterais, onde o sol incide tangencialmente, foram instaladas placas de concreto próximas às aberturas, garantindo que os cômodos permaneçam protegidos do sol o ano todo. São brises horizontais e verticais frutos de estudos meticulosos, afirma o arquiteto. Além disso, as placas se tornam elementos estéticos no desenho das longas fachadas alvas. Em dados momentos, tornam-se jardineiras, com a conversão de funções num só item. Eis a ideia de simplicidade sem pobreza. Mesmo dentro de um orçamento justo, a justa arquitetura.

Internamente, são quatro apartamentos de dois tipos: os do térreo com 46,10 m², e os apartamentos que ocupam o primeiro pavimento e a cobertura com 73,45 m². O piso térreo foi elevado 90 centímetros em relação ao nível da rua para garantir privacidade aos moradores. Essa atitude também se justificou na tentativa de melhorar a circulação de ar dentro dos apartamentos.

Outro ponto feliz é a quantidade de área permeável, que excede os 25% previstos na legislação e alcança algo próximo dos 45%. A pavimentação se concentrou no acesso principal, liberando outras áreas externas para um uso do solo mais ecologicamente amigável.

Todo o empreendimento contou com um padrão construtivo barato, de acordo com as necessidades do público que buscava: a classe média ascendente. Em nome de concentrar os gastos em questões mais relacionadas ao conforto, apostou-se na verdade dos materiais como opção estética. O sistema construtivo é baseado em alvenaria autoportante. Os blocos foram usados deitados, na técnica chamada "bloco dobrado". O reforço estrutural se deu com poucas vigas em locais onde os esforços seriam maiores, como no generoso hall central de circulação que toma 17,5 m² do térreo.

A experiência foi enriquecedora para compreender as minúcias envolvidas em uma obra. Alexandre vivenciou pela primeira vez o papel de cliente - ainda que permanecesse sendo também o arquiteto. Estavam em suas mãos as decisões que deveriam satisfazer o anseio de inovação do arquiteto, a necessidade de comerciabilidade do empreendedor e o gosto dos futuros moradores. "Muitas pessoas, potenciais compradores, que levei ao residencial não gostaram da parede toda de bloco cerâmico na fachada do prédio. Elas me perguntavam se a obra já tinha terminado", conta. "Qualquer ousadia do arquiteto assusta o público consumidor que se acostuma com os padrões impostos pelo mercado. É preciso ter cuidado e não pesar a mão", segue.

Para o futuro, a ideia é manter o modelo. Detentor de um escritório próprio que lida com outros tipos de projeto, Alexandre diz pretender focar cada vez mais em obras autofinanciadas. "Menos parceiros e mais boa arquitetura" é o novo lema do arquiteto. "Quanto menos gente envolvida, há menos pressão sobre lucratividade, rapidez de venda dos conjuntos e espaço para uma arquitetura mais refinada", justifica. A ideia é tornar outros projetos do escritório secundários, garantindo lucro e renome pelas obras que acompanha com mais proximidade.

No residencial Jatobá, como não houve dedicação exclusiva, algumas fases tiveram sua duração dilatada: a escolha do terreno demorou oito meses. Foram então quatro meses de projeto e aproximadamente um ano de execução.

SIMPLICIDADE IMPONENTE
This residential is the coming true of an ancient dream, while he was still a university student. Alexandre Prisco became an enterprising architect, active in a construction's entire process. With partner engineer Gabriel Gonsalves, he became immersed in the project, covered the costs from his own savings, cared for the new intellectual cub from the creative embryo to closing the sale. The residential has 300 m² of built area and is installed in a 12 meters wide by 36 meters long lot. The construction evolves as a pure rectangular prism, charming with the set of hollows, the pre-molded concrete brises and the apparent ceramic block vertical strips. The west facade overlooking the street is imposing, even if it is extremely simple. With a few irregular cuts from the floor to the ten meters above, one can see an apparent ceramic block wall detached by 80 centimeters from the building, as a shelter from the sun. The idea is that this wall becomes green when the bindweeds dominate it. In the side facades, touched tangentially by the sun, concrete plates were installed next to the openings, ensuring the bedrooms have protection from the sun. Another happy point is the amount of permeable area, exceeding the 25% foreseen in legislation, reaching some 45%.



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