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Assentos para arenas esportivas

Debate: assentos para arenas esportivas

Implantação de novas normas exigiu a melhoria de qualidade dos assentos das arquibancadas e tem aumentado cuidado nas especificações

Por Maryana Giribola
Edição 232 - Julho/2013
Foto: Érica Ramalho
Foto: Érica Ramalho
As cadeiras especificadas para o público geral do novo Maracanã, no Rio de Janeiro, contam com assentos rebatíveis em polipropileno moldado a ar com tratamento antiUV e antichamas. Sua estrutura é de aço galvanizado, chumbada nos espelhos da arquibancada para evitar infiltrações. Possuem largura de 45 cm, profundidade aberta de 50 cm e profundidade rebatida de 26 cm. O espaçamento entre as fileiras é de 84 cm. Para fugir do uso de cores para diferenciar blocos ou setores, os arquitetos optaram por formar um mosaico com as cadeiras, diferenciando as tonalidades

A chegada de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 ao Brasil tem movimentado positivamente o mercado de assentos para estádios. Com os holofotes virados para o País, empresas estrangeiras, entre elas principalmente europeias, começaram a ser representadas por brasileiros e a revenderem suas tecnologias por aqui. Atrelado a isso está a chegada de regulamentações nacionais para os produtos, como a NBR 15.925:2011 - Assentos plásticos para eventos esportivos e a NBR 15.878:2011 - Assentos para espectadores - Requisitos e métodos de ensaios para a resistência e a durabilidade. Antes, as únicas referências para a especificação dos assentos nas arenas que receberiam eventos internacionais eram o Caderno de recomendações e requisitos técnicos para arenas esportivas da Fifa, o Green guide (Guide to safety at sports grouds), e regulamentações locais, como os requisitos do Corpo de Bombeiros.

Segundo Ronald Werner Fielder, sócio do Vigliecca & Associados, escritório responsável pelo projeto do Castelão, em Fortaleza, a implantação das novas normas não afetou o andamento das obras, já que elas foram baseadas na regulamentação anterior, o Green guide. As normas do Reino Unido também balizaram a realização da Nota técnica de prevenção e combate a incêndio e pânico para estádios e áreas afins, que faz parte da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Antes, apenas os Corpos de Bombeiros de São Paulo, de Minas Gerais e do Espírito Santo contavam com instruções técnicas específicas para esses locais. Com a nota técnica do Senasp, os requisitos puderam se nacionalizar.

Com normas bem definidas e disponibilidade de tecnologia avançada em mãos, ficou mais seguro projetar. "Antes cada estádio instalava o que queria, com graves comprometimentos de segurança. Um exemplo disso eram as superlotações", explica Ronald.

REQUISITOS TÉCNICOS
Além das novas normas, no final de 2012 o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) abriu uma portaria que certifica os assentos em conformidade com as normas técnicas. Não entram nos requisitos do regulamento do Inmetro assentos para as áreas VIP e VVIP e assentos com prancheta. Pela Fifa, as cadeiras de hospitalidade e dos setores VIP devem sempre se sobrepor ao modelo do setor inferior, para manter a qualidade.

Para os estádios que pretendem buscar com a Fifa a capacitação para receber eventos esportivos internacionais, optar pelo assento rebatível é indispensável.

Além das normas brasileiras e das recomendações da Fifa, é preciso seguir a regulamentação local em relação às exigências do Corpo de Bombeiros de cada Estado para saber o número máximo de assentos, largura mínima dos patamares e medidas das cadeiras.

Em São Paulo, por exemplo, os encostos dos assentos devem ter no mínimo 30 cm de altura. O espaçamento mínimo entre as cadeiras deve ser de 40 cm para circulação nas filas, entre a projeção dianteira do assento de uma fila e as costas do assento em frente (ou guarda-corpos).

Já entre os requisitos listados pela Senasp, estão assuntos relacionados à resistência mecânica para esforços solicitados, espaçamentos mínimos para circulação nas filas, necessidade de especificar materiais incombustíveis ou retardantes ao fogo, e índice de inflamabilidade zero, ou seja, em caso de incêndio, no máximo a peça derrete.

MODELOS E FIXAÇÃO
Os assentos do tipo concha estão mais sujeitos ao pó e ao acúmulo de água, o que aumenta os custos com manutenção e limpeza no estádio. Já os assentos rebatíveis são menos susceptíveis às intempéries. Eles também se adaptam melhor às arquibancadas, pois liberam mais espaço para circulação quando estão fechados e, por seu design, permitem que a fixação não seja feita necessariamente no patamar, mas também nos espelhos ou por meio de longarinas.

As vantagens da fixação por longarina é que ela permite o posicionamento adequado do assento depois da instalação e não necessita de muitos pontos de fixação no piso ou no espelho. Já a fixação no espelho está susceptível ao desaprumo, o que geralmente não acontece no piso. No entanto, liberam espaço para limpeza e movimentação das pernas embaixo das cadeiras.

É importante que todos os componentes metálicos dos assentos e dos elementos de fixação sejam resistentes à corrosão. A resistência e a durabilidade dos materiais plásticos também devem ser atendidas. Nos testes mecânicos estabelecidos pela NBR 15.878, o assento deve resistir a até 250 kg em suas laterais. Segundo Lilian de Oliveira, arquiteta especializada em projetos esportivos, o material mais adequado é a resina plástica de polipropileno com estrutura de alumínio bruto ou aço carbono, o qual deve ser galvanizado com zincagem.

A cor também deve ser uma preocupação do projetista: algumas desgastam mais, dependendo da insolação e intempéries locais. Cores como vermelho e laranja são as que mais desbotam. Outra preocupação dos escritórios de arquitetura tem sido especificar combinações de cores que não façam alusão a nenhum time da região nem com a sinalização do estádio. "Se a combinação de cores for monocromática, pode ficar evidente qual é mais nova na hora de substituir assentos. Por isso é importante trabalhar com pixels", explica Bruno Campos, sócio da BCMF Arquitetos, escritório responsável pelo projeto executivo do Mineirão.

Durante a fixação, é preciso ter cuidado com o tipo de estrutura da arquibancada. Em reformas, é comum se deparar com concretos diferentes, que podem exigir ou chumbadores mecânicos ou fixação por processo químico, por exemplo.

FICHA TÉCNICA

INÍCIO DO PROJETO 2010
INAUGURAÇÃO abril de 2013
PROJETO EXECUTIVO DE ARQUITETURA Fernandes Arquitetos Associados
CONSTRUÇÃO Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez
CAPACIDADE 79.378 mil lugares
CADEIRAS Giroflex
ÁREA CONSTRUÍDA 124 mil m²

 

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