Debate: Corporativo em transformação | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Ambientes de trabalho

Debate: Corporativo em transformação

Ambientes colaborativos e mais aconchegantes compõem as novidades para espaços que fogem do tradicional

Edição 235 - Outubro/2013
Foto: Guilherme Jordani
Foto: Bete Vieira
O escritório da incorporadora e construtora Rossi, no Edifício Miami, em São Paulo, possui um espaço que pode servir tanto para reuniões rápidas e informais quanto para convivência. Localizado próximo ao setor produtivo, com fácil acesso dos funcionários, o ambiente é composto por um conjunto simples de mobiliários, com mesas altas de MDF madeirado e banquetas de madeira nogueira e couro ecológico. Uma bancada de apoio com lixeira para recicláveis, além de poltronas de couro ecológico, completam o tom de versatilidade do espaço.

No começo de 2013, a presidente do Yahoo! Marissa Mayer convocou os funcionários que trabalhavam remotamente e aboliu o sistema de home office da empresa, com a justificativa de que a medida atrapalhava a velocidade e até mesmo a qualidade dos serviços. A decisão abriu caminho para um debate sobre qual é o melhor ambiente para o trabalho e como o espaço pode determinar a eficiência de critérios como produtividade e integração.

Entre os arquitetos projetistas de interiores, é consenso que o desenho do espaço determina a funcionalidade de qualquer empresa. O que se discute, porém, é como tornar os ambientes corporativos mais agradáveis, e como adequá-los para as novas dinâmicas profissionais.

A inspiração para essas novas tendências vem do perfil de uma nova geração, que prefere não desenvolver o mesmo tipo de trabalho o dia inteiro e que preza muito pela colaboração, conta Isabella Leonetti, sócia do escritório Leonetti Piemonte Arquitetura. "Essas características demandam vários ambientes diferentes", explica.

Nesse sentido, uma tendência já bem disseminada para os ambientes de trabalho são os espaços colaborativos ou open spaces, que promovem maior interação entre os funcionários. O arquiteto Luciano Dalla Marta conta que em agências de publicidade as estações de trabalho individuais têm sido substituídas por grandes mesas. "A ideia é que as pessoas trabalhem em conjunto, como se estivessem todos na mesma hierarquia", diz.

Um conceito que vem crescendo recentemente é o do living office, que pretende fazer do espaço corporativo um ambiente mais aconchegante e até mesmo com aspecto de lar. Para tanto, o projeto abarca não só os espaços produtivos propriamente ditos, como também outras áreas de relaxamento, como salas de descompressão, bibliotecas, salas de convivência e mesmo de recreação. O foco é o conforto e o bem-estar do funcionário.

Outro fator que contribui para mudanças no espaço corporativo é a evolução da tecnologia. Recursos como a videoconferência trazem a demanda de um espaço próprio para a realização de reuniões remotas. Conhecidos como salas de call, estes ambientes transformam uma simples sala de reunião com a adoção de ferramentas de áudio e vídeo.

Do mesmo modo, a portabilidade dos equipamentos livrou muitos cargos da obrigação de ter um ponto fixo, o que deu origem aos chamados postos rotativos. "O notebook é o seu escritório", aponta Isabella. Assim, é possível trabalhar em locais diferentes dentro da empresa, pois a informação acompanha a pessoa.

Mobilidade é uma palavra-chave quando o assunto é espaço corporativo. A forma de gestão de uma empresa pode ser alterada em um curto intervalo, e a organização do espaço precisa acompanhar essas transformações. "A ideia hoje em dia é que tudo possa mudar de lugar", conta Luciano, que recomenda o planejamento de poucas estruturas fixas e, sempre que possível, a utilização de elementos adaptáveis, como divisórias móveis. "É um grande lego", brinca.

Apesar de tantas tendências, um mesmo modelo de ambiente corporativo não pode ser reproduzido indiscriminadamente. "Cada empresa tem uma lógica de trabalho", alerta Antonio Mantovani, arquiteto e sócio do escritório Dante Della Manna. Ao contrário de uma agência de marketing, na qual o trabalho é compatível com espaços abertos e integrados, um escritório de advocacia requer ambientes mais convencionais, devido à natureza do trabalho, que demanda mais foco e concentração em documentos e contratos.

Por esse motivo, antes de desenvolver o projeto é preciso avaliar todo o modo de operação da empresa, levando em consideração ainda as diferentes áreas que a compõem. Nessa fase, realizada como uma espécie de consultoria do espaço, é possível identificar necessidades e problemas, além de propor soluções para o cliente.

De um modo geral, as empresas menos conservadoras são as que mais aderem às novidades. Indústrias de bens de consumo, prestadoras de serviço e agências de comunicação e tecnologia são, na maioria dos casos, mais abertas às mudanças propostas pelos arquitetos. Multinacionais também costumam trazer para seus escritórios experiências já consolidadas no exterior.

ESTRUTURA E MOBILIÁRIO
Em edifícios novos, a estrutura com menos pilares e infraestrutura mais moderna facilitam o planejamento de um espaço corporativo. Em prédios antigos, entretanto, algumas adaptações podem dar conta das necessidades.

Pierina Piemonte, também sócia do escritório Leonetti Piemonte, dá o exemplo do projeto para a filial brasileira da empresa Almaviva, instalada em um dos andares do edifício Itália, em São Paulo. Para atender à infraestrutura da parte elétrica, logística, de telefonia e de ar-condicionado, o pé-direito de alguns ambientes foi rebaixado, deixando parte do escritório com forro e parte sem. "Essa infraestrutura exigiu uma adequação não só do andar, como do edifício como um todo, pois não havia espaços para passar os sistemas."

Muitas soluções, porém, podem ser alcançadas com adequação do mobiliário e criatividade, sem esquecer da ergonomia. Antonio Mantovani conta que, além das preocupações básicas com a resistência, conforto do material, altura e certificação, é importante atentar para a disposição adequada dos móveis e para a identificação precisa do que é necessário ou não para a rotina de trabalho de determinada empresa. Se o funcionário trabalha o dia inteiro na mesma posição, o arquiteto aconselha adquirir peças como sofás, para que ele tenha uma opção de relaxamento.

 

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