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Debate: Argamassa industrializada para fachada

Por Maryana Giribola
Edição 237 - Dezembro/2013
Foto: Haruo Mikami

No projeto de Domo Arquitetos para o clube no condomínio residencial de Alphaville em Brasília (2005/2012), a cobertura da ala central tem estrutura de concreto e teto-jardim. A argamassa utilizada para revestir a viga de borda da cobertura foi aplicada via projeção, o que trouxe rapidez na execução. Por conta da estrutura de concreto, bastou aplicar uma camada de emboço para regularizar a superfície e, depois, projetar cerca de 3 mm de argamassa monocamada pigmentada para dar o acabamento final.

Mesmo com projeto específico de fachadas, testes e ensaios são fundamentais

Pelo baixo custo em comparação com outros acabamentos e pela experiência de anos de utilização, revestir fachadas com argamassa ainda é uma prática adotada em muitos projetos. A boa notícia é que, por conta do aumento da gama de soluções industrializadas disponíveis no mercado, o processo tem se tornado cada vez mais especializado.


O desempenho das fachadas depende de outros fatores além da qualidade das argamassas, como a preparação do substrato, a logística de aplicação e a elaboração de um projeto de revestimento específico para cada empreendimento.

Embora não seja um procedimento adotado em larga escala, o bom desempenho do revestimento externo com argamassa cimentícia começa com um projeto específico de fachada. "O ideal é iniciar o processo na fase concepção do empreendimento, onde arquitetura, estrutura e vedações podem ser projetadas à luz das particularidades de cada tipo de revestimento. Assim, o projeto pode ser compatibilizado mais facilmente e, quando isso ocorre, fica mais simples projetar e executar a obra", explica Jonas Silvestre Medeiros, consultor de fachadas e diretor da Inovatec.

Por ser a etapa que finaliza a estrutura de um projeto, executar o revestimento de fachadas com argamassa é um passo crítico em uma obra, conta Mercia Maria Bottura de Barros, professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Primeiro, porque o substrato é o que geralmente corrige as irregularidades geométricas das estruturas. Segundo, porque o revestimento acaba se relacionando com bases que geralmente são heterogêneas, como concreto e blocos de vedação.

Além dessas questões estruturais, as variações das condições climáticas durante a obra interferem de forma significativa no desempenho do revestimento, o que demanda uma execução criteriosa - o que nem sempre se consegue com falta de especialização da mão de obra. "Um dos maiores problemas da argamassa é aplicá-la", concorda o arquiteto Robertto Freitas. Uma solução para driblar essa dificuldade é projetar um revestimento com relevo ou efeitos que não deixem as falhas aparentes.

CUIDADOS DE ESPECIFICAÇÃO
Para que o projeto minimize ao máximo possíveis patologias, ele deve considerar a geometria e detalhes construtivos, como abas e molduras. "Alguns detalhes são a porta de entrada de problemas e precisam ser projetados com cuidado. As juntas, por exemplo, precisam ser especificadas nos lugares certos e detalhadas com cuidado para evitar infiltrações", lembra Jonas Medeiros.

A maior parte das fissuras surge nas interfaces entre estrutura e alvenaria, sobre as quais o revestimento é aplicado de maneira monolítica. Para evitar patologias, é necessário, além de um bom projeto, executar reforços e juntas nas posições certas. Por exemplo: no último pavimento de um edifício e na platibanda, quando não há tratamento térmico específico para a laje de cobertura, a fissura é praticamente certa e dificilmente os reforços dão conta da movimentação cíclica. Nesses casos, as juntas de movimentação são inevitáveis.

A escolha do tipo de argamassa determina em grande parte a durabilidade, os critérios de manutenção e a maior ou menor dificuldade na execução. Nessa etapa, é importante lembrar que algumas opções de projeto podem dificultar a aplicação, como usar telas de reforço e juntas de movimentação de forma indiscriminada.

Na hora da escolha, estudar as informações fornecidas pelos fabricantes é importante, mas não é o suficiente. Os profissionais que trabalham com argamassa recomendam realizar ensaios de aderência para conhecer o produto, para então poder especificar a preparação da superfície, o tipo de chapisco e o emboço.

Também há outras opções, como executar painéis testes antes de começar a aplicar a argamassa nas fachadas. Isso reduz a probabilidade de retrabalhos em caso de fissuramento e descolamento, pois a partir dos resultados é possível criar um procedimento definido de aplicação, o que diminui a necessidade de ensaios de aderência e pode trazer economia à obra.

O ideal é que tais testes sejam feitos em todas as situações da construção. Por exemplo: em edifícios, o concreto da estrutura dos primeiros andares é mais resistente que nos últimos, então é preciso realizar testes em todas as variações de resistência da estrutura. Além disso, é preciso testar a aderência da argamassa também nas alvenarias.

Assim, além de avaliar a qualidade da argamassa, é possível testar o desempenho de todo o sistema, considerando substrato, aplicação, condições climáticas e tempo de cura de acordo com a obra.

FICHA TÉCNICA

ARQUITETURA Domo Arquitetos - Henrique Coutinho, Daniel Mangabeira e Matheus Seco (autores), Débora Valença, Rodrigo Scheel e Daniella Rauber (coautores), Guilherme Mahana, Tatiana Lopes (colaboradores)
PAISAGISMO Renata Tilli
CONSTRUÇÃO Engea Engenharia
CONCRETO Concrecon
ARGAMASSA Weber Saint-Gobain
IMPERMEABILIZAÇÃO Imper Cia.


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