A&P Arquitetura reforma casa para receber o Commons Studio Bar, em Salvador | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

A&P Arquitetura . Salvador, BA . 2012/2013

A&P Arquitetura reforma casa para receber o Commons Studio Bar, em Salvador

Por Simone Sayegh Fotos André Nóbrega
Edição 241 - Abril/2014

Com pouco tempo e custo reduzido, arquitetos optam pela madeira reutilizada como produto principal na transformação de uma casa em bar, na capital baiana. A fachada, também recoberta por paletes, apresenta uma inclinação na parte superior que funciona como cobertura para a entrada dos clientes

Em Salvador, um publicitário e um produtor musical unem forças para abrir um espaço artístico alternativo à cena do axé. Em busca do local ideal para a empreitada, encontram uma casa que já tinha sido usada como livraria e bar, mas demandava uma intervenção radical. A antiga construção ocupa um terreno de 6 m de largura por 56 m de profundidade, parcelamento típico do antigo povoado de pescadores do bairro do Rio Vermelho.

A tarefa de renovar ambientes e trazer o contemporâneo integrado à cultura local coube aos arquitetos Nivaldo Andrade e Alexandre Prisco. A dupla teve de transformar a casa térrea com tempo e dinheiro reduzidíssimos: cinco meses desde o primeiro contato com os clientes até a entrega da obra, com 220 mil reais de custo.

Norteou o projeto o uso de materiais alternativos e reciclados, e com soluções de baixo custo que formassem um desenho contemporâneo e mantivessem o DNA local. Em uma primeira etapa, a intervenção se deu na parte anterior da edificação: da fachada principal até o pátio externo, além de uma cozinha para preparo rápido de alimentos e vestiários para funcionários. Futuramente, a porção posterior do imóvel deverá ser alvo de novas reformas para abrigar espaços administrativos.

A casa apresentava revestimentos de baixa qualidade do ponto de vista arquitetônico, que foram na sua maioria recobertos. A planta foi mantida, sendo que palco, terraço, salão do térreo e mezanino continuaram os mesmos, com poucas paredes inseridas. O elemento aglutinador dos ambientes foram os paletes de madeira de 1,20 m x 1 m em superfícies verticais, e caixas de frutas em superfícies horizontais, que acumulam a função dupla de luminárias e painéis acústicos.

Tanto a pista de dança, logo na entrada da casa, quanto a varanda em frente ao pátio externo receberam forro formado por essas caixas. Na pista, lâmpadas de serviço pendem de algumas delas, enquanto no pátio, o escalonamento sucessivo desses elementos, presos ao teto por fios de náilon, resultaram em um desenho suavemente ondulado, quase escultórico.

Já os paletes de madeira posicionados no sentido vertical nas paredes da pista de dança e no mezanino guardam lâmpadas PL e um recheio acústico formado por lã de pet, produzida a partir da reciclagem de garrafas de refrigerante de tereftalato de polietileno, que também se estende em todo o forro. "A proteção acústica foi primordial considerando a natureza da ocupação e a presença de muitos prédios residenciais ao redor", explica Nivaldo. Já na parede do pátio externo os mesmos paletes tornam-se horizontais e servem como suporte para um jardim vertical.

As caixas de frutas também foram utilizadas na confecção dos balcões dos três bares, localizados na pista de dança, no mezanino e no pátio externo. O bar do terraço divide espaço com uma porta de serviços e o caixa, abrigados por uma composição de painéis verticais de compensado naval e placas cimentícias. "Quando fechados, esses painéis garantem uma configuração uniforme a essa fachada, escondendo os elementos internos", explica Nivaldo.

No mezanino, o volume do caixa, em compensado de madeira, faz referência a barracas de doces e aos velhos guichês de cinema de rua. A escada que leva ao mezanino também foi inteiramente revestida de madeira e sua parede ganhou chapas de policarbonato - um dos itens mais caros da obra.

As poucas paredes derrubadas concentram-se nos sanitários, onde divisórias e portas foram executadas com compensado naval e piso e paredes receberam cimento queimado vermelho. Os lavatórios são um capítulo à parte: uma grande bacia de alumínio embasada em um cone metálico invertido recebe água de um sistema de tubulação aparente que desce único e se divide em quatro registros, iguais aos utilizados em jardins ou tanques de lavar roupa. Por fim, na parte externa da casa, a fachada também recoberta por paletes de madeira tem sua porção superior inclinada para integrar a casa às edificações vizinhas e criar uma cobertura que proteja os clientes que vão acessar a bilheteria. "Além de possibilitar uma arquitetura singular, o uso de materiais alternativos garantiu um custo de obra pequeno quando comparado ao padrão construtivo tradicional", conclui Nivaldo.

NEW MUSIC, NEW DUDS
In Salvador, a publicist and a musical producer join forces to open an alternative artistic space for the Axé music scene. In search of the ideal location, they found a house that required radical intervention. The former construction occupied a 6 m wide by 56 m deep lot, parceling typical of the ole fisher-folk from the Rio Vermelho borough. The task of revamping rooms fell to architects Nivaldo Andrade and Alexandre Prisco, who transformed the house with insanely reduced time and money: five months from first client contact to job delivery, at the cost of R$200,000. The project was led by the use of alternative and recycled materials, and low-cost solutions to form a contemporary design and keep up the local DNA. The elements gluing the rooms together were 1.20 m x 1 m wooden pallets on vertical surfaces, and fruit crates on horizontal surfaces, which accumulate the function of lighting and acoustic panels. Both the dance floor, right at the entrance of the house, as well as the balcony in front of the outdoor patio received a wall lining formed by these crates. On the dance floor, service lamps hang from some of these, while on the patio, the successive staggering of these elements, clung to the ceiling by nylon cords, has resulted in a mildly wavy, almost sculptural, design. Meanwhile the wooden pallets vertically placed on the walls of the dance floor and the mezzanine hold purpose lighting lamps and acoustic filling formed by PET matting, produced from the recycling of PET film soft drink bottles, which are also extended throughout the wall lining.

DADOS DA OBRA

LOCAL Rua Odilon Santos, 224, Rio Vermelho, Salvador
ÁREA 455 m²
DATA DO PROJETO setembro a dezembro de 2012
DATA DA OBRA dezembro de 2012 a fevereiro de 2013
CUSTO TOTAL DA OBRA 220 mil reais

FICHA TÉCNICA

ARQUITETURA A & P Arquitetura - Nivaldo Andrade e Alexandre Prisco
COLABORADORES André Nóbrega, Lucas Paes e Gabriela de Freitas
ACÚSTICA Audium - Débora Barreto
ILUMINAÇÃO JB Design de Luz - João Batista
CONSTRUÇÃO Sete43 Arquitetura - Sérgio Alencar



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