Debate: Em busca da produtividade | aU - Arquitetura e Urbanismo

Tecnologia

Debate

Debate: Em busca da produtividade

Edição 241 - Abril/2014
Foto: Daniel Ducci
O espaço do Banco Pátria Investimentos, em São Paulo, ilustra bem a transparência que tem sido empregada nos novos espaços de trabalho. As áreas comuns e de descompressão foram divididas com o uso de divisórias de vidro, permitindo a integração visual dos espaços. O teto, composto por gesso acartonado, traz luminárias embutidas e em linhas retas, que auxiliam os visitantes e colaboradores a transitar pela planta.

Para diminuir custos com locação e promover mais integração entre os funcionários, empresas têm investido em estações compartilhadas de trabalho

Baseados em uma necessidade de mais colaboração e flexibilidade nos locais de trabalho, as empresas estão repaginando seus layouts internos para torná-los cada vez mais integrados e funcionais. "Os escritórios e a forma de trabalhar estão sendo muito mais colaborativos do que individuais, e isso reflete diretamente na distribuição dos espaços. Os ambientes estão ficando menos privados e com menos estações fixas de trabalho. Isso promove mais mobilidade nas empresas", explica Fernando Vidal, sócio da RoccoVidal P+W.

O que antes eram estações de trabalho individuais, com mesas também individuais, maiores e em L, geralmente separadas por elementos como baias ou divisórias, há alguns anos têm se tornado uma coisa só: são os open spaces. A ideia é projetar ambientes que estimulem a produção dos funcionários e que sejam cada vez mais aproveitados, levando em conta o percentual de funcionários que realmente frequentam a empresa diariamente.

Alguns espaços até parecem call centers, mas isso não passa de uma estratégia a fim de estimular a criação em setores que não demandam total concentração dos profissionais. "De forma geral, esses novos espaços estão sendo implantados com mais ou menos intensidade em qualquer perfil de empresa. Mas há aquelas que já têm isso como recomendação, porque sua cultura de compartilhamento e mobilidade está consolidada", explica Sérgio Athié, arquiteto e sócio da Athié Wohnrath.

Já Edo Rocha, arquiteto responsável pela Edo Rocha Arquiteturas, avalia que as mudanças têm ocorrido principalmente na área privada e em empresas de tecnologia, bancos de investimentos e instituições financeiras. "São empresas que absorvem mais rapidamente as mudanças culturais. Porém, depende muito do segmento econômico e das atividades de cada área, levando em conta a necessidade de concentração e de confidencialidade da companhia", explica o arquiteto.

Claro que nem tudo precisa ser necessariamente aberto. Salas de reuniões fechadas e com tratamento acústico, call boxes - ambientes privados para realizar ligações - e espaços de descompressão multiuso também compõem os ambientes que fazem parte dos escritórios do futuro. Em alguns casos, a separação entre ambientes é feita apenas com o uso de vidros, coloridos ou transparentes, a fim de deixar tudo visualmente aberto. Mas tudo é projetado conforme o perfil de operação e a cultura corporativa de cada empresa.

PRODUTIVIDADE EM FOCO
Além de espaços mais abertos à integração, o mobiliário também conta ponto na produtividade dos funcionários. Por isso, não é só o design que vale na hora da especificação. "Há mobiliário específico para staff, para salas de reuniões formais ou informais, para espaços de descompressão etc. E o nosso trabalho como projetista é escolher modelos que se adaptam ao uso que a empresa pretende dar a eles", comenta Antonio Mantovani Neto, arquiteto associado da Dante Della Manna.

Os ambientes de descompressão também estão sofrendo mudanças. Os tradicionais puffs e sofás estão sendo substituídos ou complementados por mesas e cadeiras com design diferentes das utilizadas nos staffs. O objetivo é fazer com que esses espaços também possam ser palco de reuniões informais, ao invés de serem usados apenas para relaxamento. "São áreas criadas ao longo da distribuição dos escritórios que também geram produtividade", explica Fernando.

A configuração dos espaços de descompressão está muito ligada à cultura da empresa, mas, de maneira geral, há uma separação clara entre as salas de relaxamento e trabalho quando existe a necessidade de concentração nas áreas operacionais. Caso contrário, é comum que estes espaços sejam uma extensão um do outro.

Na hora de projetar os ambientes, principalmente nas áreas operacionais, questões ergonômicas também devem ser consideradas, já que podem afetar diretamente a produtividade dos funcionários. Por exemplo: antes, com mesas individuais e maiores, a necessidade de locomoção dos usuários também era maior. Hoje em dia a tendência é utilizar mesas plataformas que, apesar de proporcionarem um espaço de trabalho menor por pessoa, fazem com que a necessidade de locomoção do usuário também seja menor.

As cadeiras também afetam diretamente a produtividade dos usuários. Os produtos ofertados têm sido cada vez mais intuitivos, ou seja, se adaptando ao usuário sem a necessidade de muitas regulagens.

PROJETO NO DETALHE
Um dos cuidados para projetar os ambientes é prever a infraestrutura necessária aos cabeamentos. Quando o espaço conta com pisos elevados, presentes na maioria dos projetos atuais, resolver o problema é mais simples, mas também é preciso especificar um mobiliário que conte com estrutura de passa-cabos tanto do piso para a mesa quanto de uma estação de trabalho para outra. "Em breve isso será simplificado com a evolução das soluções wireless", prevê Edo Rocha.

Outro item de extrema importância dentro dos ambientes e que tem passado despercebido nos projetos é a iluminação, principalmente nos open spaces e em locais onde o pé-direito do imóvel é alto. Um bom projeto de iluminação deve considerar a incidência da luz externa nos ambientes durante todas as fases do dia.

Respeitar os limites de adensamento de acordo com as orientações da prefeitura também é um cuidado que deve partir do projeto. Segundo os profissionais consultados, em função das locações cada vez mais caras, os clientes têm tentado encontrar soluções para abrigar mais funcionários por metro quadrado do que o permitido pelos órgãos, que é de um usuário para cada 7 m².

Além das recomendações acerca do adensamento de pessoas nos ambientes de trabalho, também é importante respeitar algumas normas técnicas durante o desenvolvimento dos projetos, como a NR 23, que fala sobre proteção contra incêndios; a NR 26, que trata das sinalizações de segurança; a NBR 9.077:2001, que também fala sobre saídas de emergência, mas para edifícios; e a NBR 10.898:2013, que especifica as características mínimas para as funções a que se destina o sistema de iluminação de emergência a ser instalado no edifício.

FICHA TÉCNICA

ANO DO PROJETO 2013
ÁREA 4,5 mil m²
ARQUITETURA Luiz Fernando Rocco, Fernando Vidal e Douglas Tolaine - RoccoVidal P+W; Daniel Miike, Douglas Enoki e Paula Giannotti, (colaboradores)
ARQUITETURA DE INTERIORES Dado Castelo Branco
ENGENHARIA Lock Engenharia
CARPETE E PERSIANAS Casa Fortaleza
DIVISÓRIA RETRÁTIL Wall System
DIVISÓRIAS INDUSTRIAIS Abatex
LUMINÁRIAS Omega iluminação
MOBILIÁRIO INDUSTRIAL Escinter e Vok


PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>