Coda Arquitetura resolve a circulação e o programa da Agência Agnelo Pacheco, em Brasília, nos espaços segmentados de um edifício existente | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Coda Arquitetura . Brasília, DF . 2011/2012

Coda Arquitetura resolve a circulação e o programa da Agência Agnelo Pacheco, em Brasília, nos espaços segmentados de um edifício existente

Por Simone Sayegh Fotos Joana França
Edição 242 - Maio/2014

Para resolver a circulação e o programa em espaços compartimentados, escritório de arquitetura brasiliense tira partido da cor e da existência de patamares no edifício-sede da agência de publicidade Agnelo Pacheco, em Brasília

O local escolhido pela agência de comunicação Agnelo Pacheco para abrigar seu novo escritório estava longe de ser novo: um antigo edifício com plantas compartimentadas e problemas estruturais e de instalações, que dividia espaço com um estúdio de uma produtora de vídeo.

A planta da construção quebrava a situação de vão livre disponível em que os funcionários estavam acostumados, já que as áreas de trabalho teriam de ser distribuídas ao longo de quatro pavimentos de áreas desiguais, ligados apenas por escadas situadas em diferentes pontos. "A tônica de nosso projeto foi resolver exatamente a questão da oferta de áreas distintas em patamares, com pontos de circulação não contínuos, já que o cliente buscava exatamente o contrário", explica Pedro Grilo que, ao lado de Brunno Vilela e Guilherme Araujo, do grupo brasiliense Coda, assinou o projeto do escritório.

Após as intervenções técnicas que englobaram repintura e instalação de brises na fachada principal, reforços estruturais e renovação das instalações elétricas, hidráulicas, lógicas, e de ar-condicionado, os arquitetos partiram para a obtenção da máxima integração dos espaços. As cores selecionadas, o vermelho característico da agência, o branco e o preto serviram como elementos-guia na circulação, unificaram e ao mesmo tempo delimitaram ambientes.

Nesse encaminhamento por entre os andares, o vermelho é protagonista, pois leva visitante e funcionários às escadas metálicas, única circulação vertical no edifício, e a algumas áreas de trabalho. Como complemento, o tom de madeira clara no piso vinílico, e a forte predominância do branco nas paredes e móveis criam a diferença necessária nos ambientes.

Além das cores, os arquitetos se aproveitaram da sequência de níveis para agrupar funções afins. A divisão programática seguiu um gradiente de privacidade, onde atividades mais públicas concentram-se no térreo, enquanto espaços mais reservados ocupam o último pavimento. Na busca do melhor trajeto entre esses espaços foi necessária a inversão de lances das escadas e a demolição de paredes, que otimizaram a circulação e liberaram mais espaço para as áreas de trabalho.

No térreo, a recepção com balcão, piso, paredes e teto na cor vermelha têm a função dupla de reforçar a marca e indicar o trajeto até a escada metálica. A cor divide espaço com o branco que forma outro espaço de recepção para clientes, além de salas de reunião. Os diferentes ambientes se integram no forro salpicado por luminárias circulares de vários tamanhos.

Os segundo e quarto pavimentos, ambos com cerca de 200 m², abrigam as grandes áreas de trabalho. No segundo andar concentram-se mídia, atendimento e diretoria da empresa, enquanto no quarto organizam-se checking, criação, design, estúdio e produção. Nesses andares as salas fechadas recebem divisórias de vidro e as estações de trabalho contam com mobiliário contemporâneo e original, ainda que fruto de intervenções e adaptações de móveis existentes. "Parte das soluções envolveu a complementação das peças de mobiliário existentes e a fabricação de móveis de acabamento semelhante aos encontrados, para garantir unidade ao conjunto", explica Pedro.

O destaque fica por conta dos mesões formados por tampos de madeira maciça sobre gaveteiros, com canaletas divisórias que guardam o cabeamento dos computadores e servem de prateleira para pequenos objetos. Sobre cada posto de trabalho pende um armário-luminária atirantado a réguas metálicas no forro, que além de guardar objetos pessoais também iluminam as estações. Como complemento, a equipe de mídia contou com um revisteiro sinuoso de 7,4 m de comprimento, formado por vergalhões de aço, que facilita a organização da grande quantidade de revistas que recebem.

Já no terceiro andar, resultante do aproveitamento parcial do patamar intermediário da escada, com apenas 37 m², estão os equipamentos técnicos e o servidor da empresa, uma sala de colagem e a sala de coordenação geral. O projeto do Coda distribuiu dez plataformas de trabalho, com capacidade para 64 funcionários, e seis salas de diretoria e coordenação, em meio a escadas, patamares e espaços compartimentados, e uma área útil de 534 m².

DADOS DA OBRA

PROJETO novembro de 2011 a março de 2012
CONSTRUÇÃO março de 2012 a novembro de 2012
ÁREA DO TERRENO 450 m²
ÁREA DE INTERVENÇÃO 534 m²
CUSTO TOTAL DA OBRA 609.121,65 reais

FICHA TÉCNICA

ARQUITETURA E ACOMPANHAMENTO DE OBRA CoDA Arquitetos
AUTORES Brunno Vilela, Guilherme Araujo, Pedro Grilo
EQUIPE Letícia Pacheco
PROJETO DE REFORÇO ESTRUTURAL Moacir Buhrer
PROJETO DE AR-CONDICIONADO Thermacom
PROJETO LUMINOTÉCNICO TC Iluminação
OBRA CIVIL Empred Engenharia e Manutenção Predial
ENGENHEIRO RESPONSÁVEL Paulo Resende
FISCALIZAÇÃO E ACOMPANHAMENTO CoDA Arquitetos

FORNECEDORES

MARMORARIA Marmoluz
FORRO DE GESSO Centerflex
MARCENARIA Antunes Armários e Cozinhas/ Silvânia Marcenaria
LUMINOTÉCNICO TC Iluminação
AR-CONDICIONADO Engear Refrigeração
BRISES Matriz Metalurgia
LETREIROS Carplac
VIDROS E DIVISÓRIAS Central Vidros
PISO VINÍLICO Cervellini Revestimentos
PERSIANAS Sublimes Persianas e Decorações

THREE-DIMENSIONAL JIG-SAW PUZZLE
The location chosen by the Agnelo Pacheco communication agency to lodge their new office was far from being new: an old building with compartmentalized floor plans as well as structural problems and facilities that share space with a video production studio. The work areas would have to be distributed about the four floors of split-level areas, connected by stair cases situated at different points. "The key note of our project was to resolve the matter of the distinct leveled areas offered, with non-continuous points of circulation," explains Pedro Grilo who, alongside Brunno Vilela and Guilherme Araujo from the Brasilia based Coda firm, signed onto the office project. The colors - the characteristic red of the agency, the white and the black - were to serve as guiding elements in circulation, unify and identify environments. The red plays a leading role in circulation, as it leads visitors and staff to metal stair cases, the only vertical circulation in the building, and the work areas. Beyond the colors, the architects made good use of the sequenced levels to group similar functions. The programmatic division followed a privacy scale, where more public activities are concentrated on the ground floor, while more reserved spaces occupy the last floor. In the search for the best course between these spaces came the need to invert stair cases and tear down walls, which optimized circulation and released more space for the work areas.