Debate: Pisos elevados para ambientes corporativos | aU - Arquitetura e Urbanismo

Tecnologia

Tecnologia e materiais

Debate: Pisos elevados para ambientes corporativos

Por Maryana Giribola
Edição 243 - Junho/2014
Julio Menezes
O pé-direito alto facilitou a especificação dos pisos elevados no retrofit do Moinho Água Branca. O edifício foi construído em 1950 em São Paulo e reformado para virar sede de uma indústria de alimentos, a Correcta Alimentos. Com vão de 20 cm para abrigar a infraestrutura de cabeamento, o modelo escolhido foi o piso elevado em aço preenchido com concreto celular. O revestimento foi feito com pisos vinílicos em placas, que facilitam a manutenção.

Desenvolvidos inicialmente para atender à demanda por acesso ao cabeamento estruturado em salas técnicas e pequenos centros de processamento de dados, os pisos elevados têm ganhado novas formulações e suas aplicações em áreas corporativas são quase uma solução unânime entre os projetos.

"Hoje em dia é impossível conceber um projeto sem considerar o piso elevado", conta Isabella Leonetti, sócia do escritório Leonetti + Piemonte Arquitetura. Mesmo que haja inúmeras possibilidades de fazer a distribuição das redes pelos forros, a solução dos pisos elevados acaba sendo adotada também por conta das irregularidades nos contrapisos dos imóveis. "Da forma como geralmente recebemos as salas, não podemos desconsiderar os pisos elevados para corrigir os desnivelamentos."

Hoje os produtos oferecidos para essa demanda contam com estruturas mais flexíveis, de fácil montagem e desmontagem, que atendem às necessidades de mudanças de layout frequentes nas empresas. Com as evoluções em termos de produto, os pisos elevados podem ser especificados com vãos de, no mínimo, 5 cm. A configuração, embora não seja recomendada pelos arquitetos e projetistas porque não atende às necessidades mínimas para as instalações, veio para atender principalmente às demandas nos retrofits. Como esses empreendimentos costumam ter pé-direito mais baixo, alguns centímetros a menos podem fazer diferença no resultado final.

Os pisos elevados apresentam outra vantagem, que é a incorporação de configurações como o sistema de ar-condicionado insuflado. Em vez de os dutos passarem por cima do forro, eles podem ser incorporados no leito do elevado. Assim, com placas perfuradas e grelhas para saída de ar, essa solução promete reduzir em cerca de 25% o consumo de energia em relação ao sistema insuflado pelo forro. Além disso, o sistema evita a formação de zonas extremamente frias, situação comum quando o insuflamento é feito por cima.

ESCOLHA PELO USO
A especificação dos pisos elevados em ambientes corporativos é mais simples em comparação com os projetos de data centers, por exemplo, que são mais técnicos. Para os escritórios, a escolha é feita basicamente pelos seguintes critérios técnicos: altura do vão necessária para abrigar toda a infraestrutura de cabeamento; pé-direito do imóvel; resistência às cargas que serão colocadas sobre os pisos; alocação e organização dos cabos de voz e dados em eletrocalhas ou não; e escolha do revestimento.

Em construções de edifícios corporativos novos para futura locação, o desejo dos locatários também é uma preocupação da incorporadora na hora de especificar o tipo de piso elevado, explica Carlos Alberto Garcia, da Alflalo & Gasperini. E um meio de descobrir a aceitação do produto no mercado é procurar por consultorias especializadas.

A altura dos vãos mais utilizados em ambientes corporativos é de 15 cm a 20 cm. O espaçamento, além de abrigar os cabeamentos e cruzamentos entre as redes, facilita a manutenção. Por outro lado, alturas maiores abrem margem para corrigir eventuais desnivelamentos nos pisos.

Já em retrofits, a altura do piso é um ponto crítico. "Temos uma limitação pelo pé-direito desses prédios, que não foram projetados para receber um piso elevado. Mesmo assim, é a melhor solução para não precisarmos rasgar o chão para passar os cabeamentos", explica Heloisa Dabus, titular do escritório Dabus Arquitetura.

Nesses casos, a escolha do piso elevado deve levar em conta prioritariamente o pé-direito dos ambientes - em áreas de permanência com ar-condicionado, por exemplo, o mínimo exigido é 2,5 m.

Em ambientes corporativos, os pisos elevados mais utilizados são os removíveis. Há também a opção dos moldados in loco, conhecidos como monolíticos. Eles são aplicados sobre suportes plásticos, que também abrigam toda infraestrutura de cabeamento. O que pode ser uma desvantagem desse tipo de modelo é a falta de flexibilidade na mudança de layouts. Isso porque, para remover e recolocar as placas, é preciso contar com a ajuda de um profissional qualificado. "Isso gera uma pequena obra e dificulta a manutenção dos leitos", explica Fernanda Gabriel, sócia do escritório VG Arquitetura.

Já os removíveis podem contar com estrutura de aço ou policarbonato. Os primeiros são mais resistentes às cargas fixas e móveis. "90% dos edifícios em que fazemos obras já são entregues com o piso elevado em aço. Eles são mais estáveis e desalinham menos do que os outros", afirma Fernanda. Em compensação, os produzidos em policarbonato são mais leves, e alguns materiais, como o termoplástico, são recicláveis, o que pode trazer vantagens no quesito sustentabilidade.

As placas são sustentadas por suportes de altura variável e ajustável, os chamados suportes telescópicos. Eles mantêm a superfície externa nivelada, mesmo que haja desníveis no contrapiso. A altura dos suportes (ou pedestais) varia de 4 cm a 50 cm.

Quanto ao revestimento, há vários tipos para pisos elevados, como os laminados melamínicos, pisos vinílicos, emborrachados, carpetes e até mesmo pedras. Mas é preciso atentar para alguns aspectos na escolha, principalmente quanto à natureza do material. Alguns materiais, como a ardósia, são muito frágeis e podem trincar ou quebrar durante o uso. Além disso, é importante especificar, pelo menos nas áreas operacionais, uma solução que permita fácil manutenção, como os pisos vinílicos e os carpetes em placas.

INSTALAÇÕES
Com modelo de piso e revestimento escolhidos, é preciso definir a forma como as instalações serão alocadas nos vãos. O projeto dessas instalações é indispensável para esse tipo de tecnologia, e varia de acordo com o tipo de estrutura do piso. "Os monolíticos, por exemplo, têm uma maneira de fazer a distribuição bem peculiar. Como nem toda a estrutura é acessível, o planejamento tem de ser benfeito", explica Cláudio Riva, diretor da Projetar - Projetos de Sistemas.

É importante que não ocorram interferências entre os sistemas de força e de dados. O ideal é que o leito seja loteado, que as instalações ocorram em alturas diferentes e que os cruzamentos sejam feitos em 90°. Como auxílio existem as calhas, que nem sempre são elementos necessários, mas tornam a distribuição mais simples, além de promoverem proteção aos cabos.

Deve-se atentar ao desnível gerado pela elevação do piso, que precisa ser compatibilizado com as portas - principalmente dos elevadores - e com os degraus de escada. Outro ponto são as passagens entre o piso elevado e as áreas fixas, como copas e banheiros; esses espaços também devem ser levantados ou receber rampas de acesso. Por fim, sempre é necessário documentar em planta todo o esquema das instalações.

FICHA TÉCNICA

DATA DO PROJETO 2012
ÁREA CONSTRUÍDA 905 m²
ARQUITETURA, ILUMINAÇÃO E INTERIORES Leonetti Piemonte Arquitetura
CONSTRUÇÃO Lock Engenharia
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E HIDRÁULICAS Grau Engenharia
PAISAGISMO Cenário Paisagismo
DIVISÓRIAS Interact
PISO DE RESINA Durocolor
MOBILIÁRIO Mobilinea Global
PISO ELEVADO Pisoag
PISO VINÍLICO EM PLACAS Interfloor


PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>