Bloco Arquitetos Associados projeta casa térrea com teto-jardim em condomínio a 30 km de Brasília | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

Bloco Arquitetos Associados.Brasília, DF.2011/2014

Bloco Arquitetos Associados projeta casa térrea com teto-jardim em condomínio a 30 km de Brasília

Por Mariana Siqueira Fotos Haruo Mikami
Edição 245 - Agosto/2014

Parece que a casa nem está ali. Ao menos, essa é a sensação de quem chega ao pequeno condomínio fechado situado a 30 km do centro de Brasília, brindado pela ampla vista sobre uma área de proteção ambiental. Mas a casa, é claro, está ali, e pode ser intuída por volumes e planos brancos que nunca se sobressaem à linha do horizonte. É apenas depois de superados o gradil de acesso e a rampa que conduz ao estacionamento que a arquitetura começa a aparecer, assumindo prontamente a função de emoldurar a mesma vista que, acima, é doada livremente para a vizinhança. "A ideia era enfatizar a paisagem com a arquitetura", resume a equipe do Bloco Arquitetos Associados.

A residência foi implantada em um só nível, três metros abaixo da cota de acesso ao terreno, aproveitando a superfície de um platô deixado pelo antigo proprietário do lote. Os projetistas optaram por expandir a área plana com um pouco de corte e aterro e por manter, no mais, a acentuada topografia que vai do nível da rua ao fundo do vale.

Como resultado da implantação, a cobertura adquire um caráter muito mais importante que o de mera vedação: passa a ser percebida como a continuidade do térreo da rua e a funcionar como o quintal da casa que, de outra forma, não poderia pousar em solo tão inclinado. Por isso, foi transformada em jardim, recebendo o mesmo tratamento das outras áreas livres do lote, com gramado e piso de lajotas cerâmicas. Além de servir como área de convívio e mirante, o teto-jardim contribui para o conforto térmico da construção.

O verde da mata inunda os principais ambientes internos da casa, participando de maneira decisiva na sala, na cozinha e nos dormitórios. As duas fachadas principais, longitudinais, são integralmente vedadas em painéis de vidro, garantindo transparência tanto em relação à paisagem protagonista, a sul, quanto ao jardim a norte que participa, como coadjuvante, da sala e da circulação de acesso aos quartos.

Perpendiculares ao corpo principal da casa estão duas alas que abrigam banho e closet do casal, na porção mais reservada, a leste, e área de serviço e depósito contíguos à cozinha, a oeste. As duas alas são pontuadas com pátios privativos que funcionam como perfurações na topografia para trazer ar e luz a determinados cômodos - uma solução que dialoga com as claraboias locadas sobre os banheiros com a mesma finalidade.

As claraboias emergem no teto-jardim e assumem, aí, o caráter de mobiliário. Com estrutura metálica vedada por vidro temperado e tampo de granito, esses elementos podem ser utilizados como bancos ou mesas no suspenso quintal. Além disso, tornam-se fontes de luminosidade durante a noite, quando acesas as lâmpadas dos banheiros dentro de casa.

A técnica construtiva empregada na casa é convencional, com pilares e vigas moldados in loco e lajes pré-moldadas. As vigas sobre a sala foram protendidas, e a laje, calculada com sobrecarga maior para receber a terra na cobertura. Os pilares de seção circular, na sala, foram feitos com fôrmas de papelão, os concretubos da marca Dimibu, que deixam impressas ranhuras espiralares sobre a superfície do concreto.

Para a instalação do piso, lançaram à equipe de execução um trabalho de paciência: pavimentar, com ripas de madeira guaiuvira - assentadas uma a uma - os mais de 200 m² que englobam sala, cozinha e dormitórios. O mesmo material foi utilizado na área externa correspondente à varanda, dessa vez na forma de um deque que permite melhor drenagem das águas pluviais.

Os painéis de vidro que vedam as longas fachadas norte e sul foram calculados para se comportar da forma mais econômica possível: muitos dos vãos são fixos, e aqueles que são móveis nunca ultrapassam a largura de 1,2 m. Essa e outras decisões projetuais, aliadas à efetuação de compras diretas, permitiram que o valor da construção saísse abaixo do custo médio das obras de alto padrão em Brasília: 1,6 mil reais/m² contra os 2 mil reais/m² normalmente praticados.

Juntos, vidro, madeira e alvenaria branca criam um contexto relativamente neutro para a entrada da natureza na casa, na forma de potentes visuais. Mas não só pelos olhos a mata se faz presente - cheiros e sons também vêm participar da sinfonia sensorial oferecida pelo cerrado. Da cobertura de sua casa, o morador contempla o pôr do sol e não titubeia ao responder se gosta de viver ali: "Nem me lembro de como térreo era a vida antes de me mudar para cá".

OPEN TO THE CERRADO
It seems that the house isn't even there. At least this is the feeling when you arrive at this small condominium, located 30km from the center of Brasilia. But, of course, the house is there and can be intuited by its volumes and white backgrounds that never stand out from the horizon. It is only after you pass the fences and the access ramp,which leads to the parking lot, that the architecture begins to materialize. It assumes the role of framing this same view, which above, is freely offered to the neighborhood."The idea was to emphasize the landscape with the architecture," says the Domo Associated Architects' team. The residence was set on only one level, three meters below the level of terrain access. As a result of this disposition, the roof is seen as the continuing of the street's terrain and it also works as a backyard. That's why it was transformed into a garden, receiving the same treatment as the other outdoor areas from the lot, having a lawn and ceramic floor tiles. Besides working as a living area and as a gazebo, the roof garden contributes to the thermal comfort of the building. The skylights emerge from the roof garden and with a metal frame sealed with tempered glass and granite countertops, they can be used as benches or tables in this hanging garden. The construction technique is conventional, with pillars and joists shaped in loco and pre-molded slabs. The beams were pre-stressed over the room and the slab, which was calculated considering a higher overload to hold soil on the roof. The glass panels, that seal the long north and south facades, were calculated to behave in an economical way: many of these windows are fixed, and those that can be moved never exceed a width of 1.2 meters. All together, the materials create a relatively neutral ambiance so nature can enter inside the house in the form of powerful visuals.



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