Como fazer o gerenciamento de obras | aU - Arquitetura e Urbanismo

Artigo

Exercício profissional

Como fazer o gerenciamento de obras

Por Juliana Nakamura
Edição 245 - Agosto/2014

O arquiteto gerenciador de obras

COMPATIBILIZAÇÃO CRÍTICA
Além do planejamento consistente, uma necessidade ao bom gerenciamento são projetos detalhados e bem compatibilizados. Uma falha comum, que traz impactos diretos na administração do canteiro, é a falta ou deficiência do estudo de logística.

A arquiteta Renata Marques, que realiza gestão de projetos e obras, cita um exemplo do que pode acontecer quando não há planejamento adequado: "Imagine que o projeto preveja uma escada pré-moldada que necessite de uma grua para sua instalação. Se o canteiro, por alguma restrição qualquer, não permitir a instalação desse equipamento, como resolver o problema sem provocar atrasos, aumento dos custos ou alteração do projeto?", questiona. Esse tipo de imbróglio pode ser evitado com a compatibilização de projetos e com o estudo minucioso do projeto pelo gerenciador antes de iniciar a construção.

A gestão das equipes e das interfaces entre as diferentes atividades que compõem a obra também costuma ser especialmente desafiadora. Nesse ponto, é importante que o gestor conquiste a confiança e o respeito das pessoas envolvidas. "O profissional precisa dispor de sólidos conhecimentos técnicos e administrativos. Do contrário, não terá a liderança necessária muito menos o apoio das equipes para fazer o seu trabalho", alerta Renata.

PERFIL E APTIDÃO
Para desempenhar bem sua função e obter os resultados almejados, o profissional dedicado à gestão de obras deve dispor de algumas habilidades específicas. "Um ponto primordial é ter boa compreensão e leitura do projeto arquitetônico e dos projetos de engenharia, bem como conhecimento dos processos construtivos que envolvem uma obra, em todas as suas etapas", destaca Fernanda.

Também é fundamental que o gerenciador tenha conhecimentos administrativos, de legislações e de normas técnicas.

"Aptidão para comunicação e visão total do processo são outras qualidades importantes em um gestor", acrescenta a arquiteta da Informov Engenharia + Arquitetura, Andrea Ballesteros. Enio cita a organização para distribuir e acompanhar os processos, flexibilidade para adaptar-se aos imprevistos, e capacidade para resolver problemas de modo ágil e eficaz.

O arquiteto Fábio Rocha conta um episódio que ilustra a importância de ter jogo de cintura. "Fomos contratados por uma empresa para projetar e gerenciar uma obra de 1 mil m². Quando estávamos com todos os projetos prontos, a empresa descobriu que não havia se preparado financeiramente para a obra. A solução foi apoiá-los oferecendo consultoria sobre as linhas de crédito existentes no mercado, bem como negociando os pagamentos somente ao final da obra com os fornecedores que já conhecíamos. No final, deu tudo certo. O cliente conseguiu a sua obra e nós conquistamos o cliente", conta o arquiteto.

FORMAÇÃO
Para quem pensa em atuar como gestor de obras, buscar uma formação complementar específica é imprescindível. Isso pode ser conseguido em cursos de extensão ou mesmo de pós-graduação e MBA. "Para quem está começando, uma dica é iniciar por obras pequenas com equipes reduzidas e crescer proporcionalmente à sua experiência", sugere Fábio, que destaca também focar em um único nicho de mercado para ter mais sucesso.

Outra sugestão é adquirir bagagem atuando dentro de canteiros. "Para quem está em início de carreira, isso pode ser conseguido estagiando em grandes construtoras", comenta Renata Marques, que começou dessa maneira.


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