Vapor 324 e Garupa Estúdio se unem para reformar espaço e dar forma ao restaurante Tuju, em São Paulo | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Vapor 324 e Garupa Estúdio.São Paulo,SP.2013/2014

Vapor 324 e Garupa Estúdio se unem para reformar espaço e dar forma ao restaurante Tuju, em São Paulo

Por Ursula Troncoso | Fotos Leonardo Finotti
Edição 249 - Dezembro/2014

Quem chega hoje no restaurante Tuju, recentemente aberto na Vila Madalena, em São Paulo, não tem ideia de que se trata de uma reforma. O grupo de arquitetos que desenvolveu o projeto envelopou o edifício existente, dando um ar tecnológico e contemporâneo, e fazendo o visitante esquecer totalmente do edifício anterior, de estrutura pesada, tesouras de madeira maciça e telhado duas águas. "Ser uma reforma era importante para nós por dois motivos", conta Rodrigo Oliveira, arquiteto integrante do Vapor 324, "primeiro porque esse é o desafio da nossa época: trabalhar com as preexistências e tirar partido delas", "e depois porque fazer uma reforma era muito menos complicado do ponto de vista legal e de tempo de obra", completa Thomas Frenk, também arquiteto do Vapor, mostrando a sintonia da equipe. Pode-se perceber o resquício do que existia antes apenas no meio do salão, quando, de repente, aparecem colunas encorpadas de madeira entre as mesas. Há também outro indício, mas que só soubemos depois de conversar com os arquitetos: todos os móveis de madeira maciça, projeto e execução da marcenaria Baraúna, foram feitos com a madeira retirada de partes demolidas da antiga casa.

A história começou em uma conversa entre os sócios do restaurante e o Garupa Estúdio, que assina com o Vapor 324 a autoria do projeto. Eles vieram com uma demanda clara: dar valor ao produto servido no restaurante, ao produtor, à cozinha e ao processamento dos alimentos. "Eles queriam encurtar as distâncias entre a produção do alimento e o cliente final", explica Rodrigo, "e queriam que cada alimento fosse fresco, se possível produzido lá mesmo, ou de algum produtor próximo". Para responder a isso, os arquitetos bolaram uma área verde funcional, e o projeto de paisagismo - a cargo da Ervas Finas Horticultura - desenvolveu um jardim comestível. "Tudo que está nos canteiros pode-se comer, a trepadeira é de tomatinhos, tem legumes, flores e horta", completa Thomas. Embora a produção de ervas não seja o suficiente para abastecer o restaurante, ela serve para finalizações de pratos e muitos itens integram o menu degustação.

Além disso, os clientes queriam que as referências de projeto evidenciassem a cultura brasileira. "Quando tivemos as primeiras conversas, eles chegaram a mencionar a construção de taipa", conta Rodrigo, "mas nós achamos mais adequado fazer uma apropriação contemporânea da nossa cultura, principalmente a cultura paulistana, que é industrial. Queríamos mostrar as entranhas, o maquinário, como um restaurante funciona", conclui. Então propuseram o restaurante às avessas, onde nada fica escondido. A fachada, de cima a baixo, deixa tudo à mostra, e para isso foi utilizado um material translúcido mas não totalmente transparente: placas modulares de policarbonato alveolar. Começando pelo exaustor e a ventilação sobre a laje, a cozinha de preparo no andar de cima, e a cozinha de finalização no andar de baixo, tudo fica exposto desde a entrada. Afinal, tem algo mais brasileiro do que entrar pela cozinha?

Para abrigar o programa do restaurante, dois novos blocos foram agregados à construção. "Neles estão todas as áreas técnicas", explica Thomas. No bloco da frente, a cozinha, e no dos fundos, a estufa, quatro grandes caixas d'água e as máquinas de ar-condicionado, que ficam na laje. "O terceiro piso chamamos de piso técnico, é uma laje impermeabilizada a céu aberto onde se concentram todo o maquinário pesado do restaurante", diz Thomas. Os blocos novos são separados da construção existente pelo que os arquitetos chamam de frestas, que conectam o antigo com o novo, sem se tocar. "Nesses locais fizemos grandes shafts e passamos toda a infraestrutura do restaurante", completa Thomas.

A especificação do piso, que muda de ambiente para ambiente, tem significado. Um piso de placas cimentícias produzidas com material reciclado vem desde a praça de entrada e conecta todos os ambientes. Desde a cozinha, passa pelo salão, bar, sai no jardim dos fundos e segue o trajeto pelos banheiros até subir à estufa. Esse é o percurso público do restaurante, também chamado de "rua". Na iluminação, esta rua é marcada com uma peça original feita pelos designers da NeuteChvaicer chamada de Água Viva, que lembra o fundo do mar. O edifício existente é marcado com um piso de ladrilho hidráulico, e os blocos novos, acompanhando a seleção mais contemporânea, receberam piso epóxi.

Os sócios do Garupa ficaram com a função de definir o mobiliário do restaurante. Eles desenharam uma cadeira original para o projeto, de fibra de vidro para a área externa, e de compensado para o bar, conversando com o restante do mobiliário de madeira, e com pés de tubo de ferro dobrado. "Trabalhamos com um construtor de barcos para produzir o molde da cadeira, agora podemos produzi-la em série", conta Nadezhda Mendes da Rocha. Para completar o mobiliário externo, foi feita uma composição com móveis de chapa metálica dobrada e pintada com pintura eletrostática e automotiva. Entre as peças, está o banco Bento, uma preciosidade.

Neste projeto, um grupo grande de jovens arquitetos, designers, chefs, artistas, produtores e empreendedores se juntaram e, com muita competência, deram a este lugar uma cara fresca e simpática.

LOWERING DISTANCES
Anyone arriving today at the Tuju Restaurant, recently opening its doors in Vila Madalena, nestled in the city of São Paulo, has no idea that the place was recently remodeled. The group of architects who developed the project encased the existing building construction to give it a contemporary, technological air, and make the visitor forget the hardwood-trussed, gable-roofed, heavy structure of the former building construction. Only a trace of what existed before can be noticed in the middle of dining hall, where wooden embodied columns appear among the tables. The story began in a conversation between the partners at the restaurant and Garupa Estúdio, who commissioned the authorship of the project to Vapor 234. They came in with a clear demand: add value to the product served at the restaurant, to the producer, to the kitchen and to the processing of foods. In response, the architects came up with a functional green area and the landscaping project developed an edible garden. Even though the herb production is not enough to supply all the restaurant's needs, it serves to garnish the dishes. To house the program, two new blocks were added on to the construction, which are the technical areas. The flooring specification entails meaning. Cementitious screed flooring produced with recycled material comes in from the entry court and connects all the rooms. This is the restaurant's public walkway, which is also called the "street". The existing building construction is marked with hydraulic cement tile flooring, while the new blocks have received epoxy flooring.



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