Debate: salas de reunião | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Debate: salas de reunião

Por Maryana Giribola
Edição 256 - Julho/2015
Foto: Fran Parente

No projeto do banco de investimentos BTG Pactual, o foco foi conceber um ambiente funcional e tecnológico. As salas de reunião contam com infraestrutura para a realização de tele ou videoconferência e as TVs podem ser embutidas nos aparadores quando não estão sendo utilizadas. A iluminação, controlada por aparelho de dimerização, muda de intensidade automaticamente conforme o uso do ambiente. Os acabamentos escolhidos, como piso, revestimentos e forro, contribuem para melhorar o conforto acústico interno durante o uso.

Reunir-se não é mais sinônimo de estar presente. Ambientes com videoconferência, teleconferência e até telepresença são cada vez mais comuns em escritórios. Para o espaço funcionar bem, as mesas precisam contar com pontos de conectividade suficientes. Aparelhos eletrônicos, como TVs, telefones e projetores devem estar facilmente acessíveis. Mas não apenas de tecnologia vive a sala de reuniões: é preciso projetar de forma a que todos os presentes se vejam e sejam vistos por quem está do outro lado da tela, em caso de videoconferências.

A preocupação com o projeto desses ambientes sempre existiu, mas os layouts eram mais espaçosos. Com o metro quadrado mais caro, os arquitetos precisam ponderar até que ponto as salas podem ser otimizadas sem deixar o funcionalismo de lado. Unir e separar espaços tem sido uma solução bastante utilizada. "Não apenas para formar uma sala de reunião maior, mas também para configurar pequenos auditórios ou salas de treinamento", conta Pierina Piemonte, da Leonetti Piemonte Arquitetura. Usar locais estratégicos pra configurar salas de reunião informais também tem sido uma alternativa. "São opções às vezes mais estimulantes do que as próprias salas fechadas porque as equipes estão mais multidisciplinares", diz a arquiteta.

ESPAÇO E QUANTIDADE DE SALAS
"Normalmente, o que o cliente quer não é o que ele precisa", conta Fernando Vidal, da Rocco Vidal Perkins+Will. O primeiro passo para um bom projeto é entender a operação do escritório e analisar itens como a porcentagem de tempo em que as salas são usadas e o número de pessoas que as usam. Assim é possível calcular a quantidade e o tamanho de salas mais reservadas, e eventuais opções para reuniões informais. "Às vezes o cliente não precisa de dez salas de reunião, mas só de cinco. Ele só está fazendo uma má gestão da operação delas", complementa Fernando. A espacialidade precisa ser avaliada com cuidado. Salas muito altas e estreitas ou muito baixas e largas devem ser evitadas e contar com janelas nas laterais é sempre bem-vindo.

A iluminação, que contribui diretamente para o conforto dos usuários, é um detalhe de projeto que merece atenção. Nesses ambientes, a luz deve ser mais confortável do que as especificadas nas estações de trabalho. A dimerização é um recurso bastante empregado, especialmente quando as salas contam com aparelhos eletrônicos como TVs e telas de projeção. Outra dica é planejar a orientação das janelas para não prejudicar a visualização. As persianas, quando especificadas, devem estar de acordo com a incidência do sol que entra na sala e, quando necessário, há a opção das cortinas tipo blackout.

As áreas de circulação são outro alvo de estudo nos projetos, principalmente quando a otimização dos layouts é um dos focos do cliente. "Às vezes os arquitetos acabam sacrificando um pouco essas áreas, e o ideal é que o caminhar nas salas seja minimamente confortável", conta Renato Dalla Marta, do Aum Arquitetos. Renato recomenda posicionar, quando possível, as portas de acesso na parede oposta ao ponto onde há projeção ou TV. No espaço das cabeceiras, onde o cruzamento de pessoas é maior, orienta que se deixe uma área livre um pouco maior, com espaço de pelo menos 1,10 m nas laterais das mesas.

ACÚSTICA PRESERVADA
O tratamento acústico é um ponto primordial no projeto desses ambientes, principalmente pela característica dos sistemas construtivos leves, geralmente presentes nos escritórios - como divisórias de gesso acartonado e vidro. Há diversos artifícios usados pelos projetistas para melhorar o isolamento dessas salas. Quando são fechadas com divisórias de drywall, é possível, por exemplo, aumentar a espessura das placas, o distanciamento entre elas e empregar materiais absorventes - como lã de vidro ou rocha - entre as chapas.

Mas o problema não se resolve aí. Principalmente nos projetos de edifícios mais recentes, os elementos de fechamentos não costumam ir da laje inferior à superior - eles morrem nos pisos elevados e vãos falsos criados nos forros para abrigar sistemas de ar-condicionado e cabeamento. "E é justamente por essas frestas que acabam ocorrendo transmissões sonoras indesejadas. O projetista precisa cuidar para que os sons não passem por aí", alerta Davi Akkerman, da Harmonia Acústica.

O nível de ruído residual, aquele som externo que adentra os ambientes, é outro item que deve ser estudado. Em escritórios muito silenciosos, quaisquer sons podem ser facilmente perceptíveis, inclusive aqueles gerados nas salas de reunião. "Existem normas australianas que recomendam um nível de ruído de fundo de 48 dB para que os sons internos sejam mascarados", conta Davi. Quando o ruído de fundo é excessivamente baixo, é possível especificar sistemas eletrônicos que emitem transmissões sonoras capazes de gerar sons residuais quase imperceptíveis aos usuários.

A reverberação do som interno também influi no conforto acústico. Não há normas técnicas brasileiras que tratem desse item em ambientes de trabalho, mas normas australianas indicam que o tempo ideal de reverberação em salas fechadas de escritórios deve variar entre 0,6 e 0,8 segundos. Os materiais de acabamento é que são capazes de melhorar esse tempo, como revestimentos de paredes, pisos e forros. "O arquiteto precisa saber balancear bem esses elementos de acordo com o uso do espaço. Os acabamentos mais indicados são os fonoabsorventes, como tecido e madeira", aconselha o projetista.

FICHA TÉCNICA

DATA DO PROJETO 2013
ARQUITETURA Rocco Vidal Perkins+Will
MARCENARIA Insight Marcenaria
MOBILIÁRIO Herman Miller, Fênix Móveis e Haworth
ELÉTRICA E CABEAMENTO Motriz
FORRO MODULAR Armstrong
CARPETE, REVESTIMENTO VINÍLICO E PISO ELEVADO Fort Corporativo


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