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Debate: painéis de vedação

POR TATIANE MOURADIAN
Edição 258 - Setembro/2015
Foto: Jomar Bragança

Diante da necessidade de otimizar processos construtivos, reduzir tempo e resíduos de construção, driblar a falta de mão de obra qualificada e, sobretudo, garantir mais flexibilidade às plantas, a utilização de sistemas de vedação com pré-moldados tem ganhado espaço cada vez maior entre as obras. Mas assim como qualquer material produzido dentro de uma planta industrial, demanda um projeto extremamente detalhado e integrado com o tipo de estrutura especificado para a construção.

E para garantir um desempenho adequado, é preciso conhecer os detalhes sobre o tipo de material escolhido. A gama de produtos disponibilizados no mercado é extensa. Em vedações externas, são comuns as placas cimentícias, de fibrocimento, painéis em oriented strand board (OSB), metálicos, pré-fabricados de concreto e de alumínio composto. Em geral, são modelos mais resistentes às ações de vento e às intempéries. Nas vedações internas, o ideal é contar com elementos mais leves. Os mais comuns são as tradicionais placas de gesso acartonado, que já contam com uma variedade de modelos para diferentes usos. Há ainda os painéis metálicos e os cimentícios preenchidos com madeira laminada ou sarrafeada.

"Em geral, os painéis para vedação interna, salvo algumas exceções como o painel cimentício preenchido com madeira, não possuem grande resistência mecânica e nem todos apresentam proteção contra umidade, enquanto os externos tendem a ser mais resistentes, tendo suas variações pautadas em itens como aparência, necessidade de isolamento termoacústico específico ou não, capacidade estrutural, resistência, proteção contra umidade, necessidade de acabamento etc.", complementa Clarisse Petroski, sócia-proprietária da Logi Arquitetura e diretora de desenvolvimento da AsBEA-PR.

Por tratarem-se, em sua maioria, de painéis leves, é indispensável avaliar a necessidade de isolamento térmico e acústico na hora da escolha. Alguns já são dotados de elementos que impedem ou amenizam a passagem de som ou calor, como os painéis sanduíche, compostos por placas de revestimento nas faces externas e miolo preenchido com materiais absorventes como espumas rígidas de poliuretano, poliestireno extrudido e lãs minerais.

GARANTINDO EFICIÊNCIA
A vedação com painéis tem como uma de suas principais características a facilidade de acomodação em qualquer tipo de estrutura, mas alguns cuidados precisam ser considerados. Vigas, pilares e lajes precisam ser executados com precisão. Caso contrário, corre-se o risco de que as placas não encaixem corretamente nos vãos, resultando na necessidade de recortes que geram desperdício de material, de tempo e de dinheiro. "Por isso, considerar uma paginação que otimize a utilização do sistema no início da concepção do projeto é imprescindível", orienta Clarisse.

O projetista precisa considerar, ainda, sistemas que não sobrecarreguem a estrutura do projeto. "Materiais muito pesados, como os painéis de concreto, não são indicados para estruturas leves, por exemplo", explica Juliana Lahóz, do Juliana Lahóz Arquitetura.

Onde materiais de natureza e propriedade diferentes se encontram, as juntas precisam ser bem executadas. Se isso não for considerado corretamente no projeto e na execução, pode acarretar problemas que comprometerão a vida útil do elemento ou do sistema como um todo. Outro risco é resultar numa solução que funcione como uma ponte térmica e acústica entre ambientes, alerta o arquiteto Siegbert Zanettini.

A estabilidade da estrutura deve ser garantida, já que qualquer esforço repassado para o sistema de vedação pode prejudicá-lo. A junção entre os painéis e a estrutura de suporte pode ser feita com elementos de fixação específicos para cada tipo de substrato ou do resultado estético que se deseja. Além disso, problemas de infiltração em fachadas mal vedadas podem causar danos como manchas de umidade, descamação da pintura e diferenças de tonalidade nas placas, podendo evoluir para problemas estruturais. Por isso, a atenção durante a execução de colamento, fixação, juntas e emendas tem de ser redobrada.

Foto: Jomar Bragança

O fechamento das estações do Move, sistema de bus rapid transit (BRT) de Belo Horizonte, foram concebidas com placas de aluminum composite material (ACM) prata de 4 mm em algumas faces externas, forros e teto. Para melhorar a ventilação e iluminação interna, algumas paredes foram feitas com vidro e brises de chapa de aço perfurada com espessura de 0,9 mm, fabricados em linha de montagem exclusiva para o projeto. Para promover o isolamento térmico foi instalada, entre o forro e a cobertura, uma manta de poliéster com 70 mm de espessura e 15 kg/m³ de densidade.

FICHA TÉCNICA

DATA DO PROJETO 2014
ARQUITETURA Gustavo Penna Arquitetos e Associados
CONSTRUÇÃO Constran
PAINÉIS DE ACM Projetoal
MANTA DE POLIÉSTER Tresoft
FORRO CURVO Hunter Douglas
PISO MONOLÍTICO Polipiso do Brasil

LIMITAÇÕES E ESTIGMAS
Segundo especialistas, a principal desvantagem dos sistemas de vedação prontos é a limitação que a padronização das placas disponíveis no mercado impõe ao projeto. "O grande ganho do material é sua simplicidade e modulação. Se o empreendimento tem uma volumetria complexa, não modular e quase sem repetição, os painéis pré-moldados não são indicados, pois o custo não se justificaria, seriam pouco aproveitados, sofreriam muitos recortes e o resultado final não seria bom", conclui Antonio Carlos Rodrigues, sócio-diretor da ACR Arquitetura e Planejamento.

Apesar dos materiais serem indicados para qualquer tipo de projeto, a adoção nos empreendimentos residenciais ainda engatinha. As exceções são projetos autorais ou residenciais com grande escala de repetição, como as habitações populares, já que o custo dos sistemas em comparação com materiais mais convencionais e disseminados, como a alvenaria, ainda é considerado alto.

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