Debate: vidros para fachadas | aU - Arquitetura e Urbanismo

Tecnologia

Debate: vidros para fachadas

POR: EVELYN OLIVEIRA
Edição 266 - Maio/2016
Daniel Ducci
 

O empreendimento comercial Teoemp, localizado no Largo da Batata, em São Paulo, possui uma fachada curva com vários tipos de vidros em sua composição. Entre eles estão os vidros low-e de cor prata, modelos extraclear, de tons mais claros, e cinza azulados, combinados com shadow-box de ACM em alguns pontos para melhorar o controle térmico no interior da edificação. A laje em "L" é protegida por uma pele curva que forma um átrio central.

A escolha pela utilização de vidros em fachadas de edifícios está amparada em uma série de justificativas: melhor apreciação da vista e da interação entre o espaço interno e externo, maior incidência de luz natural no interior da edificação e até minimização dos processos executivos em obra, incluindo a fácil manutenção das peles de vidro depois de instaladas. Por essas e outras, o material está cada vez mais presente nas fachadas de diversas edificações.

Mas não são apenas esses aspectos que devem amparar a escolha da melhor solução para o projeto das fachadas. Ao optar pelo vidro, o projetista deve levar em conta todo um leque de especificações visando ao melhor desempenho dos fechamentos externos.

Num país tropical como o Brasil, o calor é um dos artifícios que requer atenção de arquitetos e paisagistas, e uma espécie de inimigo para um material como o vidro, que possui deficiências quanto às questões térmicas. "Antigamente se pensava em conforto térmico fazendo reflexão, mas isso deixava perceptível todas as imperfeições do vidro, além de espelhar todo o calor para alguém", pontua o arquiteto Sérgio Conde Caldas.

Hoje em dia, os avanços tecnológicos na produção dos vidros para revestimento têm assegurado mais desempenho aos projetos. Segundo o arquiteto e proprietário da Ca2 Consultores Ambientais Associados, Marcelo Nudel, atualmente é possível encontrar uma gama de tecnologias de conforto solar que permite aos arquitetos uma escolha ampla de cores, de níveis de refletividade interna e externa e de níveis de transparência.

Um dos exemplos mais conhecidos de vidros de alto desempenho são os que possuem a tecnologia low-e, que reduz o ganho de carga térmica e proporciona transparência e baixos níveis de refletividade. Outro modelo é o chamado vidro duplo ou vidro insulado que pode oferecer isolamento térmico e acústico. "Na Austrália, por exemplo, esses vidros já são muito utilizados principalmente pela grande variação de temperatura no continente em que o país está localizado", exemplifica Marcelo.

O desempenho está ligado aos custos, e se um é alto, o outro também será. O vidro insulado, por exemplo, tem um sobrecusto se comparado ao laminado, mas Marcelo explica que altos investimentos valem a pena em médio prazo, principalmente se o proprietário do edifício vai ocupá-lo. "Nesse caso, o investimento inicial se paga com o tempo: será consumida menos energia e haverá influência de forma indireta na produtividade das pessoas que estão eventualmente trabalhando, tratando-se de um edifício comercial." É importante lembrar que a fachada representa uma porcentagem do total de custo de obra, e o vidro representa uma porcentagem do total do custo da fachada.

COMBINAÇÕES POSSÍVEIS
Além dos materiais de alto desempenho, os arquitetos lembram que também é possível combinar os vidros com outros materiais, criando sombreamentos e, consequentemente, melhorando o desempenho térmico das fachadas. Um exemplo é a combinação de vidros com brises, que, de acordo com Sérgio, valorizam ainda mais as fachadas e amenizam o calor produzido pelo sol da tarde.

Além dos brises, outros materiais também têm sido cada vez mais combinados com os vidros em fachadas, como o granito, o ACM, o porcelanato, laminados arquitetônicos, cristalados, entre outros. "Esses materiais podem ser inseridos em um único sistema de fachada e entregues na obra praticamente acabados, restando apenas o processo de montagem", explica Crescêncio Petrucci Júnior, da Crescêncio Petrucci Consultoria e Engenharia. Ainda de acordo com Marcelo Nudel, essas novidades acompanharam a realidade dos greenbuildings e as certificações ambientais.

ESPECIFICAÇÃO
Na hora de especificar a melhor solução, Marcelo explica que é preciso considerar qual a melhor combinação que se consegue dentro do vidro oferecido no mercado e dentro do orçamento pretendido pela obra, que combinem um controle solar adequado para eficiência energética e conforto térmico. "Os fatores principais são o desempenho térmico, o fator solar e quantidade de calor que vai entrar, a transmitância luminosa e a refletividade interna e externa, que podem afetar questões de conforto visual interno e o entorno", pontua.

Para entender se o vidro está cumprindo com tais requisitos, são feitas simulações computacionais de energia, de conforto térmico e de luz natural. Esse processo indica qual é a melhor composição das várias opções de sistemas a serem adotados na obra, tais como ar-condicionado, iluminação, eficiência da fachada, entre outros.

Muitas vezes existem conflitos entre desejo estético para o projeto e as questões técnicas envolvidas na escolha do vidro, conforme relata Crescêncio. "Um exemplo claro é que muitos arquitetos desejam vidros com alta transparência, porém fatores que condicionam o desempenho em relação ao controle térmico e ofuscamento dos ocupantes não podem ser desprezados na escolha do vidro e essas características muitas vezes são antagônicas."

Contratar uma consultoria especializada em desempenho de fachadas auxilia tanto na especificação do vidro quanto de sua estrutura.

FICHA TÉCNICA

LOCAL
São Paulo
ÁREA CONSTRUÍDA 27.126,00 m²
CONCLUSÃO DA OBRA 2015
ARQUITETURA Aflalo/Gasperini Arquitetos
FACHADAS Arqmate (consultor) e Algrad (montagem)
VIDROS Glassec e Viracon
REVESTIMENTOS DE AÇO CORTÉN Plasmont
PERFIS DE ALUMÍNIO Kawneer (Alcoa)
PERFIS METÁLICOS Metalúrgica Bassano (fabricação e montagem)
ACM Algrad

 

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