Hashim Sarkis, diretor de arquitetura do MIT, fala em entrevista para a AU | aU - Arquitetura e Urbanismo

Entrevista

Hashim Sarkis, diretor de arquitetura do MIT, fala em entrevista para a AU

POR MARIANNE WENZEL FOTO MARCELO SCANDAROLI
Edição 272 - Novembro/2016
FOTO: MARCELO SCANDAROLI

Hashim Sarkis é um arquiteto de fala calma, medida, pausada. O tom de voz, baixo, contrasta com a veemência de suas afirmações. Trata-se de pensatas e conclusões de quem lida com a prática - ele lidera um escritório com representação nos Estados Unidos e no Líbano, sua terra natal - ao mesmo tempo em que se dedica à pesquisa, ao ensino e à investigação. Diretor da escola de arquitetura e planejamento do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desde 2105, depois de uma passagem por Harvard, onde se pós-graduou e obteve seu PH.D., Sarkis esteve em São Paulo no final de setembro, viajou a convite do Arq.Futuro, plataforma de discussão sobre cidades que articulou uma parceria entre a instituição americana e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. A pesquisa em conjunto será voltada à habitação e prevê uma série de desdobramentos ainda em análise. Em encontro com alunos brasileiros, ele se disse emocionado ao visitar o prédio desenhado por Vilanova Artigas ('Eu deveria me ajoelhar, essa é uma verdadeira Meca') e, citando Shakespeare, frisou a importância de cada projeto buscar o infinito, ainda que se atenha a um espaço físico limitado. Profundo estudioso das cidades e das dinâmicas que regem sua organização espontânea, Sarkis se interessa por geografia, disciplina na qual enxerga uma complementaridade natural à arquitetura. Nesta entrevista, ele compartilha sua visão sobre cidades e espaços públicos, batendo na tecla de que não adianta mais insistir numa suposta oposição entre centro e periferia para abordar os problemas urbanos atuais. Sem fugir ao costume de observar tudo o que for possível nas metrópoles que visita, ele faz alguns contrapontos a questões tão paulistanas, a exemplo da abertura da avenida Paulista para pedestres aos domingos. 'Não demonizo o carro. A chave está na convivência', afirma.

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