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Como o mobiliário corporativo vem acompanhando a evolução da forma de trabalhar

POR: DAN BRUNINI FOTOS: LUIS GOMES
Edição 274 - Janeiro/2017

Quais as principais mudanças nos escritórios ao longo do tempo?
ANA CRISTINA TAVARES -
Aproximadamente, de 20 anos para cá, estamos vivendo uma transformação comportamental muito significativa. E isso se verifica, inclusive, nos meios profissionais, enquanto as pessoas estão trabalhando. Essa nova dinâmica de trabalho influencia diretamente na maneira como as pessoas se relacionam com o espaço corporativo. As grandes incorporações, que até pouco tempo apostavam em ambientes mais formais, estão se reorganizando e tentando entender o que está acontecendo no mundo, refletindo essa quebra de estereótipos no perfil de seus escritórios a fim de não perder mercado.
TERESA RICCETTI - O escritório mudou para proporcionar a integração entre os funcionários de todas as hierarquias. Esse próprio modelo de hierarquia sofreu mudanças severas e continua em constante mudança. Nasceram novos organogramas, e o espaço, assim como o mobiliário, deve acompanhar esse novo perfil de quadro de funcionários. Exigências antes focadas nas questões ergonômicas extrapolam hoje aspectos normativos e dimensionais debate para preocupações mais subjetivas, e não menos importantes, como o bem-estar das pessoas, o conforto ambiental e a saúde psicológica e emocional dos funcionários.
CIBELE TARALLI - É curioso observar que, em meio a essas mudanças no perfil das próprias empresas, vivemos o ápice da revolução dos meios digitais e eletrônicos, que funcionam como combustível para essa adaptação dos espaços. Em alguns setores a mudança ocorre de forma mais rápida, em outros não. Nas áreas em que há os conhecimentos segmentados, como a medicina e o direito, isso acontece de forma mais lenta, ao contrário de áreas mais dinâmicas, como as ligadas à comunicação ou publicidade. Olhamos, hoje em dia, muito mais para as atividades e para o ser humano.

É o momento dos espaços colaborativos e do open space?
MOEMA WERTHEIMER -
Antes de qualquer coisa, o arquiteto precisa entender para quem ele vai projetar. Senão, acabamos usando um estereótipo ou uma fórmula de sucesso que não se aplicam a todas as situações. Um modelo de projeto que é perfeito para um determinado segmento não necessariamente se aplica a outro. Demandas que parecem idênticas podem esconder particularidades intrínsecas ao perfil variável de cada cliente. O grande erro é criar rótulos e agir de forma automática. É claro que há uma tendência de espaços compartilhados, os chamados open spaces, mas não podemos dizer que esse modelo é ideal para todo tipo de escritório.
FÁBIO JOSÉ RICCO - A ideia de escritório colaborativo pode ser interessante, mas é fundamental, antes da concepção do projeto, avaliar se a dinâmica da empresa comporta esse perfil. O nosso papel como fornecedores é dar subsídio para o projeto a fim de gerir a produtividade e melhorar o uso do espaço. Acredito que há empresas migrando para o open space, mas há aquelas que já não suportam esse formato. Cada uma precisa analisar qual é o melhor partido diante da própria realidade.
SILVIA SERBER - Embora o open space são de fato uma recorrência nos projetos de espaços corporativos, as conhecidas baias, que tendemos a achar que não existem mais, ainda são imprescindíveis. Além dessa adequação macro em relação à dinâmica do espaço e definição dos usos para cada tipo de companhia, é preciso atentar para o tempo de permanência das pessoas nos postos de trabalho. Essa questão interfere diretamente na saúde delas. Ficamos mais tempo sentados do que deitados. Daí a necessidade da escolha consciente de cadeiras de excelente qualidade. É fundamental pensar na qualidade de vida dentro dos escritórios.
TERESA RICCETTI - O espaço aberto tem uma razão de existir. Reflete o compartilhamento que pode ser verificado em todos os âmbitos. Sou pesquisadora, trabalho em uma universidade, e compartilho meu espaço de pesquisa com outros colegas. Lido diariamente com o bônus de dividir conhecimento com outros docentes, mas tenho de buscar um outro espaço quando preciso de concentração para escrever, por exemplo. Acho difícil voltarmos tão cedo às antigas salas fechadas, fragmentadas. No entanto, precisamos de áreas de uso específico e, mais do que isso, de uma ótima conduta dos funcionários. É um problema de cultura, que deve ser trabalhado com as equipes pelas empresas.
ANIR DECO - Com tamanha evolução dos hábitos dos consumidores, o fabricante de móveis tem de estreitar ainda mais os laços com os escritórios de arquitetura. Temos notado que a questão do open space não é uma tendência, mas um formato já consagrado. É nossa função, como fornecedores de mobiliário corporativo, acompanhar essa demanda e oferecer aos arquitetos produtos que possibilitem a geração de áreas colaborativas funcionais, condizentes com o cenário atual. Para isso, devemos aliar design à tecnologia. Além de uma equipe capacitada de designers, deve-se contar com um subsídio que vem das fábricas, hoje superautomatizadas, que seguem um rigor de limpeza e organização semelhante ao do universo dos produtos hospitalares.

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