Expert em projetos de salas de exposição, o arquiteto Pedro Mendes da Rocha fala sobre a reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo | aU - Arquitetura e Urbanismo

Entrevista

Entrevista | Pedro Mendes da Rocha

Expert em projetos de salas de exposição, o arquiteto Pedro Mendes da Rocha fala sobre a reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo

POR: ALEXANDRA GONSALEZ FOTOS: LUIS GOMES
Edição 275 - Fevereiro/2017

FOTOS: LUIS GOMES

Acolhido discretamente entre o centro e a Zona Oeste de São Paulo, o pequeno bairro de Vila Buarque reúne características únicas de um lugar que está na fronteira entre o novo e o antigo na capital paulista. Ali, em uma rua arborizada e movimentada, fica o escritório do arquiteto Pedro Mendes da Rocha, onde ele recebeu a reportagem de aU para falar, principalmente, sobre os desafios de projetar museus e espaços culturais no Brasil. Durante a entrevista na sala de reuniões emoldurada por uma estante repleta de livros de arte, de arquitetura e de temas ligados à cultura, o arquiteto manteve à sua frente uma folha em branco, que foi sendo totalmente preenchida nas duas horas de conversa. Pedro ia esboçando os projetos sobre os quais falava, explicando e desenhando adendos e composições de uma mente pulsante e criativa. 'Não consigo conversar sem ter uma folha de papel para rabiscar', disse. Há mais de 20 anos, Pedro, em conjunto com seu pai, o condecorado arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, vem exercitando a arquitetura em um viés diferente ao transformar em museu edifícios preexistentes, locais de caráter histórico e protegidos por diversos órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nessas construções o desafio é criar sem descaracterizar ou ferir os esboços originais protegidos por lei. Dois de seus projetos mais emblemáticos ganharam vida no início do século 21: o Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006, em São Paulo, e o MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, aberto em 2008 na capital mineira, que compõe o Circuito Liberdade, formado por 13 instituições, dentre museus e centros culturais, em área histórica de Belo Horizonte. Agora, Pedro Mendes da Rocha integra um grupo de profissionais de diversas áreas que tem o desafio de contribuir na restauração do Museu da Língua Portuguesa, fechado ao público depois de 21 de dezembro de 2015, quando um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio da Estação da Luz. Em dez anos de funcionamento, o museu recebeu quase 4 milhões de visitantes, consolidando-se como o espaço cultural mais visitado do país. 'É preciso devolver esse patrimônio imensurável ao Brasil', afirma Pedro.

Como é projetar um museu? Quais são as características únicas desse tipo de construção em relação a outros tipos de edificação?
Uma das principais peculiaridades é ter um grande afluxo de pessoas e pensar, antes de mais nada, em ambientes de recepção, de acolhimento e disperção do público visitante. Por exemplo, em meu projeto para o Museu de História do Estado de São Paulo, um complexo que une a Casa das Retortas e o antigo Gasômetro, no Brás, a questão do acolhimento é muito importante. Uma das minhas preocupações era garantir uma chegada coberta para os ônibus escolares. Em um museu o trabalho do arquiteto deve equacionar áreas de chegada, bilheteria, exposição, elevadores, escadas, reserva técnica, café, livraria, disperção. Tudo isso de maneira clara, na qual a circulação seja eficiente e atrativa do ponto de vista cultural. Há ainda as preocupações mais técnicas, como a logística de deslocamento interno e externo de obras de arte, a aclimatação desse espaço para manter a integridade física do acervo, áreas de quarentena para as obras de arte que chegam. Em um edifício histórico temos a preocupação extra de manter os elementos originais aliados e integrados a uma mostra completamente inédita.

Há mais de 20 anos, Pedro, em conjunto com seu pai, o condecorado arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, vem exercitando a arquitetura em um viés diferente ao transformar em museu edifícios preexistentes, locais de caráter histórico e protegidos por órgãos como o Iphan.

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