Herdeiro artístico de Burle Marx, Haruyoshi Ono manteve a tradição de mosaicos na composição de jardins. Entre seus trabalhos mais recentes, destacam-se os museus do Amanhã, da Imagem e do Som e de Arte Moderna, no Rio de Janeiro | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Herdeiro artístico de Burle Marx, Haruyoshi Ono manteve a tradição de mosaicos na composição de jardins. Entre seus trabalhos mais recentes, destacam-se os museus do Amanhã, da Imagem e do Som e de Arte Moderna, no Rio de Janeiro

Alexandra Gonsalez
Edição 277 - Abril/2017

A arquiteta e doutora Klara Kaiser Mori1, professora livre-docente da FAU- SP, não esconde a emoção ao falar sobre o falecimento do arquiteto e diretor-geral do Burle Marx Escritório de Paisagismo, Haruyoshi Ono, aos 73 anos, no dia 21 de janeiro de 2017. 'Ainda está difícil de acreditar, de aceitar. Além do relacionamento profissional, tínhamos uma amizade de mais de 40 anos. Ele era uma pessoa muito querida', lamenta a arquiteta.

Recém-formados em arquitetura, Klara e o marido foram colaboradores do escritório de paisagismo de Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro, por cinco anos, no começo da década de 70. Na sequência, Klara foi integrante, por indicação de Marx, do conselho consultivo do Sítio Burle Marx, após sua doação ao Iphan. Nesse período, as famílias Mori e Ono estreitaram os laços de amizade e discutiam em um ambiente de liberdade e interação os rumos da arquitetura e do paisagismo no país. 'Em 2016, por ideia de Haruyoshi, visitamos o maravilhoso jardim da residência Edmundo Cavanelas, em Petrópolis. Foi uma viagem inesquecível', conta. Segundo Klara, Ono costumava promover reencontros anuais entre os remanescentes das equipes que trabalharam no escritório nos anos 1970 e 1980.

A época marcou a própria trajetória do carioca, filho de japoneses. Haruyoshi Ono estudava na então Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ingressou na empresa em 1965, como estagiário. Ele voltava da faculdade quando viu nas obras de criação do Parque do Flamengo uma placa da Burle Marx & Cia Ltda. O jovem estudante resolveu anotar o número para arriscar um pedido de estágio com o famoso paisagista. A estratégia deu certo e ele permaneceu ali até tornar-se sócio, em 1968, ao se formar em arquitetura. Haru, como era carinhosamente chamado pelos mais próximos, era uma pessoa e um profissional como poucos e sempre atuou na área de criação de projetos. Assim como seu mestre, também se interessava pela arte do mosaico, tendo realizado diversos painéis.

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