Herdeiro de um rico legado de escritores, Eduardo de Almeida acumula prêmios e menções desde o início da carreira, influenciado pelo brutalismo corbusiano. Dono de um portfólio variado de edifícios, ele surpreende ao atender aos programas de necessidades com soluções plásticas e tecnológicas únicas | aU - Arquitetura e Urbanismo

Entrevista

Herdeiro de um rico legado de escritores, Eduardo de Almeida acumula prêmios e menções desde o início da carreira, influenciado pelo brutalismo corbusiano. Dono de um portfólio variado de edifícios, ele surpreende ao atender aos programas de necessidades com soluções plásticas e tecnológicas únicas

Alexandra Gonsalez
Edição 277 - Abril/2017
Anna Ottoni

A vista do escritório de Eduardo de Almeida, no 12º andar da Marginal Pinheiros, em São Paulo, é de tirar o fôlego. Do outro lado do rio, o Jockey Club de São Paulo aparece em toda sua extensão, enquanto os trens e os carros correm apressados. O arquiteto, nascido na capital paulista em 1933, olha para esse cenário e comenta que não deixa de se assombrar com as dimensões que a metrópole tomou nessas oito décadas. Embora atue em projetos em todo o Brasil, São Paulo tem sido o pilar de sua carreira. 'Nasci na cidade e tenho vivido nela a maior parte da vida', comenta.

Eduardo Luiz Paulo Riesencampf de Almeida é um dos principais nomes da arquitetura brasileira. Nascido em uma família de escritores, seu tio, Guilherme de Almeida, e o pai, Tácito de Almeida, que morreu muito cedo, participaram da icônica Semana de Arte Moderna, de 1922. Do avô, que era advogado, ele herdou a paixão pelos livros, da mãe, a inspiração pela arquitetura. 'Ela conhecia o modernista Gregori Warchavchik e gostava muito que eu a acompanhasse em observações arquitetônicas.' Formado em arquitetura pela FAU-USP no fim dos anos 50, ele começou a lecionar nessa escola a partir de 1967, nas cadeiras de desenho industrial e projeto de edificações, onde permaneceu até 1998. 'O contato com as novas gerações é importantíssimo. Sigo presente na vida acadêmica ministrando palestras e workshops', conta.

Quando estudante universitário, nos anos 1950, Almeida fazia parte do grupo dos admiradores de Frank Lloyd Wright e lembra que, naquela época de afirmação do modernismo no Brasil, seus colegas se dividiam entre os seguidores de Wright e os de Le Corbusier. De sua obra inicial, destacam-se a Residência Tassinari, 1964-1973, influenciada pelo brutalismo de Le Corbusier, e o conjunto de edifícios modulares Gemini, 1969-1970, vencedor na categoria Habitação Coletiva - Obra Construída, na premiação anual do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), em 1974. Em seguida, ele constrói verdadeiros marcos para a arquitetura residencial em São Paulo, como as casas Max Define, 1976, e sua própria residência, 1974. Com projetos residenciais, é premiado na 4a e 5a Bienal nternacional de Arquitetura de São Paulo, em 1999 e 2003, respectivamente. Foi vencedor do concurso de Anteprojetos Novo Campus, da Eaesp-Fundação Getulio Vargas, em 1995, e recebeu duas menções honrosas - uma no Concurso Internacional de Projetos para o Museu Eduardo Costantini, em Buenos Aires, na Argentina, em 1997; e outra menção pelo Projeto Cultural Luz, na Premiação Anual IAB, em 2006, na categoria Urbanismo.

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