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Morre aos 74 anos Carlos Bratke, arquiteto de 60 projetos da Avenida Berrini, em São Paulo

Profissional foi ainda presidente do IAB entre 1992 e 1993 e diretor do Museu da Casa Brasileira entre 1992 e 1995

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
10/Janeiro/2017
Divulgação: CAU/BR

Faleceu na última segunda-feira (9), aos 74 anos, o arquiteto e urbanista Carlos Bratke, responsável por 60 projetos construídos na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, em São Paulo, o que corresponde a uma área aproximada de 650 mil m². Entre as premiações já concedidas ao profissional, estão o Prêmio AsBEA - Edifícios Institucionais em 2006, e o Prêmio Conjuntos de Edifícios Corporativos, na XI Bienal Internacional de Arquitetura, realizada em Buenos Aires, em 2007.

Bratke também projetou a Igreja São Pedro e São Paulo; a Casa do Arquiteto, no Morumbi; e o Parque do Povo. O arquiteto conta com obras suas espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Amazonas, Ceará e Brasília, e por países como Estados Unidos, Uruguai, Israel e México, além do Brasil.

Nascido em 20 de outubro de 1942, formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, e era pós-graduado em Planejamento e Evolução Urbana pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) durante os anos de 1988 e 1989, e como presidente da entidade entre 1992 e 1993. Também foi diretor do Museu da Casa Brasileira (MCB) entre 1992 e 1995 e presidente da Fundação Bienal de São Paulo entre 1999 e 2002.

Em entrevista concedida à revista AU em 2009, o arquiteto criticou a geração anterior à sua, mas demonstrou ver com otimismo o rumo da profissão no Brasil. "Passou uma fase muito ruim, que foi a geração que sucedeu à minha. Os arquitetos tinham muita teoria, criticavam tudo, mas não produziam nada. Hoje esse pessoal está todo encostado no governo. Mas essa geração que está aí agora é de prática profissional mesmo, está entrando na luta pra valer", declarou, na época. 

Em nota, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) lamentou a morte de Bratke. "Muito entristece a impossibilidade abrupta de convívio com colegas como o Carlos Bratke - sempre atentos às questões mais importantes da profissão, sempre disponíveis quando chamados a contribuir para o desenvolvimento da Arquitetura e do Urbanismo com seus conhecimentos técnicos, sua cultura vasta, sua inteligência sem pretensão", declarou Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR.

Pinheiro lembrou ainda a importância do arquiteto para a criação da entidade e para o fortalecimento da categoria no país. "Em 2003 [Bratke] foi um dos 35 primeiros arquitetos a assinar o manifesto em favor da criação do CAU, ao lado de Oscar Niemeyer, Nestor Goulart, Lelé, Paulo Mendes da Rocha, Severiano Porto, Joaquim Guedes e tantos outros importantes líderes da nossa profissão. Em 2012, participou de uma das primeiras reuniões plenárias do CAU/BR, debatendo conosco sobre o futuro da Arquitetura e deixando gravada sua contribuição para a organização do CAU. Em vida, recebeu prêmios e distinções diversas, merecidamente. Pelo conjunto de sua obra e importante contribuição à profissão, em 1999 recebeu o 'Grande Colar de Ouro' - comenda maior do Instituto de Arquitetos do Brasil".

Gilberto Belleza, presidente do CAU/SP, também demonstrou pesar com a notícia. "Perdi um amigo, a Arquitetura brasileira um de seus grandes nomes e os arquitetos e a profissão um dos seus grandes defensores".

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