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Criação de Oscar Niemeyer, Teatro Nacional de Brasília receberá obras ainda neste semestre

Projetado em 1958, espaço em forma de pirâmide sem ápice está fechado desde fevereiro de 2014

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
16/Janeiro/2017

O ministro da Cultura Roberto Freire e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, acertaram na última quinta-feira (12) a reabertura do Teatro Nacional Cláudio Santoro, projetado por Oscar Niemeyer em Brasília.

Segundo a secretaria estadual de Cultura, o edital para execução das obras será lançado em breve. O interesse é de que parte delas seja financiada com recursos de incentivo fiscal da Lei Rouanet. Os espaços de teatro - Foyer, Sala Martins Penna e Sala Villa-Lobos – deverão ser reabertos de acordo com a conclusão das obras.

O Teatro Nacional Cláudio Santoro, junto à Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola e ao Museu Nacional Honestino Guimarães, está fechado desde fevereiro de 2014. O espaço foi projetado por Niemeyer em 1958, e traz a forma de uma pirâmide sem ápice, o que remete à arquitetura asteca.

Ele é composto de 3.608 vidros nas fachadas leste e oeste, além de centenas de cubos brancos nas fachadas norte e sul, desenhados por Athos Bulcão. A estrutura da construção foi calculada por Joaquim Cardozo.

No processo de execução do projeto, o objetivo era de manter a simplicidade e liberdade plástica, traços que caracterizam a cidade de Brasília. A obra deveria ser modesta e, ao mesmo tempo, uma contribuição à técnica e à arte teatral.

Para não ter de limitar os espaços internos, a forma externa constitui um invólucro em que se acomodam áreas amplas de trabalho, aptas às atualizações que a técnica traria no futuro.

A ideia inicial era da construção de dois teatros – o Ópera e Ballet e o Comédia, Ópera e Música da Câmara. O Teatro da Comédia teria um sistema de pistões que levantariam a plateia nos pontos desejados, tornando a sua posição variável. Isso possibilitaria a apresentação de peças em diversas modalidades de teatro, tanto o de arena quanto o clássico grego, por exemplo.

O sistema também permitiria o envolvimento do público em alguns cenários, integrando-os ao espetáculo e trazendo aos teatrólogos e cenaristas um novo campo de experimentação. Esse projeto, entretanto, foi impedido por diversas dificuldades.

Antes de fechado, o teatro recebeu em seus palcos artistas nacionais como Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Dulcina de Moraes, Glauce Rocha, Ziembinski, Márcia Haydé, grupo Corpo, João Gilberto e Caetano Velosom, e internacionais como Maria Casaré, Susanne Linke, Kazuo Ohno, Antonio Márquez, Mercedes Sosa, Yma Sumac, os balés russos Bolshoi e Kirov, o balé da Ópera de Paris e o cantor argentino Astor Piazzola.