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Philippe Starck trabalha por sete anos no projeto de interiores de hotel de luxo em São Paulo

Design de edificação que vai ocupar o antigo Hospital Matarazzo valoriza a cultura brasileira na escolha dos materiais, formas, artesãos e fornecedores

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
22/Novembro/2016

O designer Philippe Starck apresentou recentemente as inspirações de seu mais recente trabalho: a Cidade Matarazzo, hotel da rede Rosewood Hotel & Resorts localizado em São Paulo, a um quarteirão da Avenida Paulista. O edifício-paisagem tem a sua torre assinada por Jean Nouvel, e combina, em seu interior, uma mescla entre o luxo do século XXI e o edifício histórico do antigo Hospital Matarazzo, que ali permanecia.

Para Starck, o luxo, hoje, "só pode ser definido levando-se em consideração os novos parâmetros pós-modernos: a honestidade e a longevidade. Estas noções implicam garantir a melhor qualidade com um design mínimo que supera os modismos efêmeros e passageiros".

Por isso, dedicou-se mais de sete anos ao projeto, com imersão na cultura brasileira e estudo de materiais, formas, artesãos e fornecedores do País. "Minha primeira reação ao descobrir a Cidade Matarazzo foi um choque. O choque de ver um lugar fora de tudo, infinito, fora da realidade. Um lugar de sonho, como um conto maravilhoso debaixo de uma redoma vigiada por fadas. Este lugar não é material, é a essência de São Paulo, e especialmente das pessoas que nasceram aqui. Há a magia de achar uma joia que expressa todo o enorme espírito dos brasileiros e habitantes de São Paulo. É um lugar que nos mergulha imediatamente no sonho, na imaginação, nos contos de crianças e nos contos de adultos. Lá, tudo pode acontecer", diz sobre a cidade.

O Rosewood carrega a tendência "slow luxury", que destaca as particularidades culturais dos locais em que seus empreendimentos são construídos. Para seguir essa linha, o Cidade Matarazzo tem ambientes espaçosos, com a "biblioteca nacional", uma livraria-luminária com poemas de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Vinicius de Moraes gravados nos espelhos; móveis de Sérgio Rodrigues e Oscar Niemeyer e peças idealizadas por profissionais como Fernando Jaeger, Jader Almeida e Tora Brasil.

Os proprietários das suítes poderão escolher os acabamentos entre diversos tipos de madeira de plantações sustentáveis, como mármores de jazidas baianas e paranaenses, e pisos que conversam com o jardim ao redor do prédio. "As fontes da minha inspiração são locais e internacionais, heterogêneas e originárias da África, América, Itália, do design e arquitetura", conta Starck.

No local, também são utilizados utensílios indígenas, que conversam com imagens geométricas da arquitetura modernista de Oscar Niemeyer, cristais de quartzo do Recôncavo baiano e chocalhos de contas da floresta, com instrumentos de corda introduzidos pelos europeus.

Segundo seus idealizadores, a Cidade Matarazzo é a maior obra privada de revitalização de patrimônio em curso na cidade de São Paulo. Ela tem a aprovação do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp), e investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão. O complexo conservará as características arquitetônicas originais, com área total de 28 mil m².